Com o espetáculo “Plural”, Cia de Teatro Nu Escuro, retorna a Palmas através de projeto de circulação online

No dia 31 de outubro o canal  di Circo Os Kaco recebe o espetáculo de teatro de animação da companhia goiana Nu Escuro, uma transmissão online seguida de um bate-papo entre realizadoras e realizadores das duas companhias.

Com 25 anos de estrada, a companhia goiana Nu Escuro, chega a Palmas de maneira virtual, estreando no próximo dia 31 de outubro o seu mais recente projeto, De Dentro do Centro, uma experiência de circulação online de espetáculos teatrais. Em parceria com o Circo Os Kaco, de de Taquaruçu, o projeto estreia com o espetáculo Plural, uma montagem dirigida por Izabela Nascente, que será seguida de um bate-papo ao vivo onde a diretora e atriz Adriana Brito, da Nu Escuro, recebem Marcela Pultrini,  produtora cultural da IUNA e coordenadora do Centro Cultural Circo Os Kaco.

“Plural” é a trama de uma menina que, como tantas outras, tem o nome de Maria. Suas primeiras recordações remetem aos seus sete anos, onde se distraia brincando com uma boneca de milho no terreiro de sua casa enquanto sua avó cozinhava no fogão a lenha e lhe falava pela janela. A narrativa segue de memória em memória, do universo rural ao urbano, histórias vividas e sentidas, com seus encantos, medos, violências, coragens e humores. Estas lembranças partem de relatos de familiares dos próprios atores e atrizes do elenco gerando um diálogo entre o factual e a ficção.

Para Izabela Nascente o espetáculo trata da migração de pessoas que moravam no campo para a cidade, e todas as violências a que foram submetidas até se adaptarem à nova vida. “O intuito foi retratar as histórias das mulheres que participaram deste processo, salientando a importância na construção da capital do estado de Goiás e de outras cidades do Brasil e também denunciar, de forma poética e reflexiva, o silenciamento destas histórias”, destacou a diretora.

Com a criação deste espetáculo a Nu Escuro aprofundou seu estudo em técnicas de construção e manipulação de formas animadas e linguagem videográfica, para falar de uma parcela de mulheres que migraram, principalmente de Minas para Goiás e que vieram; ou com a promessa de melhoria de vida, ou pela conquista de um pedaço de chão para plantar e para colher. Um trabalho focado nos relatos sobre mulheres rurais que têm suas identidades forjadas em seu sangue o negro, o índio e o branco. Mulheres que pariram dezenas de filhos que hoje são sujeitos de constituição das cidades. Para esta montagem foram observadas as construções de relações de gênero, vivências, tradições, modos de existência precários, ilusão, esperança e oralidade.

Um novo jeito de fazer teatro

Desde o início da pandemia a Cia de Teatro Nu Escuro vem se aventurando no exercício de reinventar os processos de criação, montagem e circulação de espetáculos. “Acabamos de concluir uma jornada de criação e produção muito intensa com o nosso mais novo espetáculo, Barbas, que foi uma imersão nessa linguagem de websérie, e agora começamos esta nova experiência de circulação online”, comentou o produtor da Nu Escuro Lázaro Tuim.

O projeto Dentro do Centro é uma realização através do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás, que levará uma programação gratuita com 13 transmissões de espetáculos, além de 4 oficinas. O projeto estreiou em Presidente Prudente (SP) e segue para Palmas (TO), Gurupi (TO), Campo Grande (MS), Itajaí (SC), Alagoinhas (BA) e Salvador (BA). Além de Plural, a Nu Escuro apresentará sua mais nova montagem, Barbas, além dos espetáculos O cabra que matou as cabras e Gato Negro.

Sobre a Cia Nu Escuro

A Cia de Teatro Nu Escuro é um grupo de atores-encenadores que trabalha coletivamente, de forma horizontal desde 1996, tendo montado 16 espetáculos e realizado inúmeras oficinas de formação profissional e de público em diversos estados brasileiros e também no exterior, consolidando-se como uma das principais companhias de teatro do Centro-Oeste.

O trabalho contínuo, a trajetória de pesquisas, os investimentos em novas linguagens e a cumplicidade com o público vem rendendo importantes frutos como a Caravana Funarte (2004); Prêmio Agepel de Teatro (2005 e 06); Destaque Cultural do Ano (2005) e Medalha de Mérito Cultural (2010) pelo Conselho Estadual de Cultura de Goiás; Procultura/ Ministério da Cultura (2010); Prêmio Funarte Myriam Muniz (2006, 10 e 11); Prêmio Artes Cênicas na Rua (2009, 11, 12 e 13); Palco Giratório/ Sesc (2015), patrocínio Petrobras entre os anos 2013 à 2016 e Prémio Juriti, pelo Conselho Municipal de Cultura de Goiânia (2019).

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