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sexta-feira 23 agosto 2019
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Episódio de hoje: “Libera meu alvará”

Gabriel Deeaz

A gente não quer só comida

A gente quer comida, diversão e arte

A gente não quer só comida

A gente quer saída para qualquer parte

Titãs – Comida

O twitter palmense nestes últimos dias possui um assunto polêmico: o alvará negado pela Prefeitura de Palmas para o evento do Mujica Bar que estava marcado para esse final de semana. As discussões estão acaloradas e com problemas nos dois lados da história.

Na primeira década dos anos 2000 a capital era uma referência quando o assunto era carnaval (axé e trios elétricos) e a LO 09 (antiga pista do aeroporto) viu passar muitos artistas de renome animando os foliões que vinham de todo o estado e de fora, movimentando o turismo e o comércio em geral aliás esta é uma das qualidades da cultura que muitas pessoas hoje em dia esquecem e ainda a diminuem como o patinho feio da política pública. Muitos ainda dizem “pra que cultura”? Mas a discussão da importância da cultura para a sociedade fica para uma outra hora porque temos que discutir a pauta em questão que é o indeferimento da Prefeitura.

É compreensível que parte da população esteja irritada com a situação porque é realmente um fato, há muitos anos a festa mais popular do Brasil foi deixada de lado aqui na cidade e um dos poucos lugares a oferecer uma festa está sendo fechada, eu que amo carnaval também me irrito com isso. Me irrito com a quantidade de burocracia necessária para a realização de eventos, mas como produtor cultural que sou, algumas coisas da nota publicada nas redes sociais do bar me chamaram atenção.

Primeiramente devemos parabenizar o Mujica pelo cancelamento do evento, já que a segurança deve sempre vir em primeiro lugar e realizar uma festa dessa magnitude poderia sim causar grandes danos. Um pedido de autorização para evento deve ser protocolado na prefeitura e nos bombeiros pelo menos um mês antes da data de realização; o bar informou que entrou com o pedido somente semana passada. Esse tipo de análise leva tempo porque deve se planejar e rever todos os esquemas para a segurança do público e do trabalhador: planta baixa, taxas, assinaturas de responsabilidades técnicas, são alguns dos procedimentos que envolvem essa liberação e são de suma importância. O processo pode demandar correções, isso leva um tempo considerável e ainda tem que passar também por processo semelhante pelos Bombeiros, a Policia Militar também deve ser informada, dependendo da quantidade de pessoas é obrigatório no local para atendimento médico. Existem regimentos nacionais sobre isso, os bombeiros e a prefeitura de Palmas não estão inventando coisas que só eles cobram aqui. Nos anos cinquenta 200 mil pessoas estavam no Maracanã vendo a seleção, hoje o público é de no máximo 75 mil, o estádio não diminuiu, as normas de segurança para grandes eventos e consequentemente dos pequenos é que melhoraram.

Nesse início de ano nosso país já passou por muitos momentos tristes, entre eles Brumadinho e os 10 do Ninho do Urubu, que aconteceram justamente por falta de responsabilidade das empresas e das fiscalizações dos órgãos públicos. Não há possibilidade de se fazer um evento, como o pretendido pelo bar, sem que se passe por todo o processo protocolar necessário! Nosso estado possui um grande número de profissionais capacitados da cultura que sabem realizar todo esse processo e que poderiam ter evitado esse cancelamento. Contratem um produtor!

Já a prefeitura deveria dar mais assistência aos poucos blocos, bares e casas de show existentes na cidade que querem realizar uma das festas mais democráticas do país. As prefeituras do Rio de Janeiro e São Paulo realizam no ano anterior o cadastro dos blocos de rua do próximo ano. Este é um movimento que voltou com tudo, Palmas já deveria prever que iria acontecer o mesmo por aqui e tem que parar de privilegiar somente um nicho da sociedade.

As grandes festas populares possuem a dualidade do sagrado e o profano, o “Capital da Fé”, que deveria ter todas as religiões em sua programação, também pode coexistir com a programação de Taquaruçu, com o Axé, o Samba, o Choro, o Maracatu, o Frevo, o Rock, o Sertanejo, o Funk e muitos mais que a cultura brasileira oferece, afinal o carnaval é isso, celebração, alegria, brincadeira, cultura.