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quarta-feira 13 dezembro 2017
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SONS DE BEIRA: a floresta no palco

Por Walber Cardoso dos Santos – (discente de Jornalismo da UFT – disciplina de Jornalismo Cultural)

Êxtase, relaxamento e conforto foram as sensações sentidas quando terminou o espetáculo musical “Sons de Beira”, que compõem a Programação do Sesc Amazônia das Artes. Dois Rondonianos, mais especificamente, naturais de Porto Velho (RO) que fazem mágica com as mãos manipulando instrumentos da floresta amazônica e contagiando a todos. Uma sensação nostálgica e de tamanha simplicidade que a deixa fantástica.

De fato os sons das florestas, suas paisagens e até seu próprio material pode ser usado como instrumento percussor pelos músicos Bira Lourenço e Catatau Batera. Afinal, o que dizer desta dupla? A simbiose entre eles é notória e louvável, digna de todos os aplausos. Utilizam uma técnica peculiar de se entregarem ao espetáculo e transmitir com tamanha emoção e reflexão o poder da natureza sobre nossas vidas e sua importância. O que nos leva a questionar a forma sobre como tratamos a natureza, parte do nosso cotidiano e às vezes irrelevante sobre nossos olhos, ouvidos e bocas.

Essa mesma paisagem trouxe um pano de fundo aos músicos na criação desse espetáculo, a paisagem sonora e, assim como existe a “lei do homem” na terra, no mato também tem a “lei do mato”.  Os elementos da natureza utilizados pelos percussionistas são de extrema modéstia, porém, com um valor sonoro e histórico imensurável. E proporciona aos que ouviram um viajar, imaginar estar numa selva, ou mesmo em fazendas, isto é, em contato com o “mato”; com a natureza.

Esse contato íntimo faz os músicos enxergarem, ou melhor, ouvirem além. Na mata não existe só “barulho” dela se extrai as vivências em ambientes beradeiros que tornaram grandes musicas nas mãos do Bira e do Catatau, fruto de muita dedicação e empenho. A cada som, resgata-se na memoria a tranquilidade das beiras dos rios, dos tempos de outrora, dos grilos atrapalhando o sono, dos sapos se acasalando… Uma cultura pouco permanente, mas de um valor simbólico colossal.

Sons de Beira é um espetáculo para se lavar a alma e repousar sobre o deleito de cada ritmo, cada sonoridade, cada instrumento que induz ao espectador sensações únicas e prazerosas. Uma apresentação para todas as idades e principalmente para aqueles que valorizam a cultura brasileira.

A programação do Sesc Amazônia das Artes segue até o dia 15 de maio, com espetáculos cênicos, musicais, exposições e mostra audiovisual com preços populares ou gratuita.