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segunda-feira 11 dezembro 2017
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Paralelos Éticos

Anna Miranda

Um caderno mágico, um justiceiro e um investigador misterioso, parece história de filme né? Quase, é a premissa de um anime – série de animação japonesa. Death Note é o nome da obra que inspirou uma tarde de reflexões éticas na Unitins.

A sessão Bravo de Cinema e Direito é um projeto do Grupo de Pesquisa Direitos Humanos, Violência, Estado e Sociedade, da Universidade do Tocantins (Unitins). Abordar temáticas acessíveis é um dos objetivos do projeto como afirma Chistiane de Holanda, professora de Direito da Unitins e criadora do grupo, “o interessante é que congregue várias pessoas para refletir sobre as temáticas que são da nossa atualidade”.

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Para promover a reflexão é exibida uma narrativa audiovisual a partir da qual os mediadores e o público traçam paralelos, a escolha desse suporte é guiada pela noção de que “trabalhar com representação social é trabalhar como a sociedade imagina, representa e constrói,  inclusive escalona seus níveis de valor e conhecimentos sobre o que ela tem de conceitos, imagens figuras, pessoas”, como argumenta Christiane. Essa é primeira sessão em que foi explorada uma linguagem diferente às dos filmes tradicionais, e a professora acrescenta que o tabu que cerca a questão: “quando a gente trabalha com cinema muitas vezes a linguagem clássica tem certos meandros, em que o anime não é bem visto nesse ambiente, por que isso não é arte.”

Diante dessa realidade o grupo de pesquisa assume também o papel de questionar o que e quem vai definir o que é arte, de que forma e em que contexto. A professora celebra ainda que qualquer elemento narrativo é bem vindo, desde que possa provocar.

O Anime e a Discussão

professoraE o que guiou a conversa foi o anime Death Note, lançado em 2006 no Japão a série teve grande impacto por trazer como figura central da trama a noção de justiça. Um caderno mágico cai do céu e o melhor estudante da turma o encontra, só que ao escrever o nome de alguém no caderno a pessoa morre. Munido desse poder sobrenatural o jovem Light Yagami começa a fazer “justiça”, punindo com a morte aos criminosos que julga serem merecedores. As mortes em massa logo chamam a atenção das polícias de todo o mundo e um detetive tão misterioso quanto o tal caderno começa a caçar o responsável.

O conflito traçado ultrapassa as duas figuras centrais, sendo refletido em outros personagens da trama que começam a se questionar sobre os benefícios desse fenômeno, que diminuiu as taxas de violência e os perigos de se legitimar esses assassinatos como atos de justiça.

Sobre a partir de uma narrativa como essa pensar a nós e a nossa sociedade e o professor de Direito da Unitins, Bernardo Olive mediador da sessão questiona os participantes “em cada um de nós existe um mundo ideal, mas nós nos submetemos à justiça desse mundo?”.

As discussões éticas permeiam as sociedades desde o estabelecimento de suas bases na Grécia clássica, emergindo mais ou menos de acordo com os fenômenos sociais de cada época e as instabilidades políticas/sociais vivenciadas pelo Brasil contemporâneo não poderiam deixar de permear as reflexões.

O papel da ética na construção da cidadania foi um ponto chave na discussão, em que o professor Bernardo argumentou sobre como a “maior crise atual é ética, não política”.

Para Christiane criadora do grupo de pesquisa “a conduta ética é a decisão, todos enfrentaram momentos de decisão e o que nós podemos fazer é nos preparar para eles”.

Dar subsídios para a autonomia é uma característica do grupo de pesquisa que fica muito clara na exposição de Marcos Júlio, aluno de direito da Unitins sobre a sua experiência no grupo: “sabe aqueles tipos de conversa que você vira e faz a Glória Pires dizendo: ah eu não tenho capacidade de opinar. Pois é, mas quando a gente vai participando do grupo de pesquisa vai construindo reflexões e então você passa a ser capaz de opinar, eu me orgulho muito de fazer parte”.

As Reflexões Continuam

Para os interessados as reuniões do grupo de pesquisa acontecem todas as  quintas-feiras,  pela manhã na Unitins, e estão abertas para interessados. Já as sessões da mostra Bravo de Cinema e Direito são realizadas na última quinta-feira do mês, às 15:00h, no auditório do Bloco A do Campos Graciosa da Unitins, em Palmas.

A próxima já está marcada para dia 25 de Maio e o tema será Meio Ambiente, o convite é aberto a todos, afinal é um assunto de todos, por que poluição não escolhe pessoa, não escolhe fronteira, nós vivemos e compartilhamos as mesmas coisas nesse meio ambiente, defende Christiane.

A sessão será também uma proposta de reflexão para pensar os vários ambientes em que nós vivemos, como esclarece a professora, ambiente familiar, de trabalho da natureza, como nós queremos construir esses meios, tendo, além disso, o dialogo sobre as poluições que acontecem nesses meios.