Search
quarta-feira 13 dezembro 2017
  • :
  • :

Bem-vindo (novamente) ao picadeiro

Por Zeus Mota Bandeira – (aluno de Jornalismo – Disciplina Jornalismo Cultural)

Há 10 anos não adentro as lonas de um circo para apreciar uma série de espetáculos que ora somos plateia, ora somos protagonistas. Sim, no circo também somos protagonistas, quando somos convidados a interagir com o espetáculo, como já fui muitas vezes. Mas, durante a programação do Sesc Amazônia das Artes tive a oportunidade de novamente entrar, não em lonas, mas em um teatro onde o espetáculo ‘Se Deixar, Ela Canta!‘ trouxe de volta toda a magia que um número de circo possui. E mais, retornei novamente ao picadeiro onde uma vez fui protagonista.

Os atores Alice Araújo, Mauro Santos e Washington Silva foram empolgantes, divertidos e inusitados durante a peça, que aconteceu na noite da ultima quinta-feira (10/05). O espetáculo narrava o show mais importante da carreira da palhaça Perualda (Alice Araújo), e que infelizmente foi arruinado pelos seus assistentes, os palhaços Chimbinha (Mauro Santos) e Mulambo (Washington Silva).

Era a primeira vez que visitava o Teatro Sesc e, logo ao chegar no hall de entrada, notei que haviam muitas crianças. Estavam fazendo muito barulho e prematuramente julguei que isso iria atrapalhar o andamento da peça. No entanto, durante o espetáculo fiquei impressionado com o silêncio da plateia, principalmente por parte das crianças que deram muitas risadas durante os momentos de humor.

Uma plateia madura, no que diz respeito a público de teatro que, apreciou um espetáculo com narrativa singela, acriançada e inocente. Perfeita para as crianças, que aproveitaram toda a dinâmica da peça, juntamente com alguns adultos. ‘Se Deixar, Ela Canta!’ é um número de palhaços de circo que apresenta muita interação com o público, logo, retomo no circo a plateia também se torna protagonista. Quando um dos palhaços saia correndo do palco em direção às cadeiras todos já sabiam que eles iriam mexer com alguém. Inclusive eu, que em um determinado momento consolei o palhaço Mulambo, que veio chorando em minha direção após Perualda gritar com ele. Todas essas ações da performance mantinham o público atento ao desenrolar da história.

Um detalhe curioso desse espetáculo é que os palhaços não falam, como de costume. É um teatro mudo. Exceto por alguns gritos, ruídos e tentativas falidas de pronunciar alguma palavra. Isso é um fato que individualiza esse tipo de circo, apresentando em um teatro e não dentro de lonas. Obviamente os circos nômades e materialista, que visam mais o lucro do que os aplausos utilizam referências populares e de duplo sentido a fim de, apelativamente, despertar o interesse do público no número e desesperadamente tentar arrancar um sorriso de sua plateia. Isso não ocorre em ‘Se Deixar, Ela Canta!’.

Uma apresentação doce, brincalhona e dinâmica para crianças que impressiona por sua sutileza em dialogar com o público, dividindo com ele o picadeiro. É uma peça que vale a pena levar os pequenos para dar boas risadas com um número despretensioso e que no final apresenta uma crítica política, que só os grandes irão compreender. Para adultos e jovens como eu, a produção nos faz revisitar aqueles anos de idas ao circo com muita saudade.

A programação Sesc Amazônia das Artes segue até dia 15, no Centro de Atividades do Sesc e com intervenções na cidade de Palmas.