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quarta-feira 18 outubro 2017
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Festival Ópera na Tela – “Otello” de Guiseppe Verdi – amanhã 04/03/2017 as 19h30 no Cine Cultura

Fonte: Ascom FCP – Palmas.

Festival Ópera na Tela

Data: 04/03/2017

Horário: 19h30

Local: Cine Cultura Palmas

 Otello (1887) de Guiseppe Verdi (1813-1901)

 

Festival de Salzburgo

Maestro: Christian Thielemann

Direção: Vicent Boussard

Orquestra Staatskapelle Dresden

4 Atos – duração: 2h20

Elenco: José Cura, Dorothea Röschmann, Carlos Alvarez, Benjamin Bernheim, Christa Mayer, Georg Zeppenfeld, Bror Magnus Tødenes

 

Sinopse: O Alferes Iago faz Otello crer que sua mulher Desdemona o trai com o lugar ­tenente Cássio, que ele havia destituído do posto. Cego de ciúme, o mouro assassina Desdemona com suas próprias mãos. Ao descobrir a verdade, suicida-­se cheio da culpa que o inundava e o sufocava de morte.

 

Site do Festival: http://www.operanatela.com/2016/cidade/palmas-to/

 

Trailer: https://youtu.be/AYGTt8Zv53I

 

Sobre a Obra:

Salzburg é uma cidade feita de música e encanto. Seu Festival de Páscoa foi criado por Herbert Von Karajan em 1967, um dos filhos diletos da cidade natal de Mozart, e nem a perda da Filarmônica de Berlim como orquestra residente e de Simon Rattle como diretor artístico diminuiu seu brilho. Substituídos pela Staatskapelle Dresden e com seu titular, o alemão Christian Thielemann, como responsável por sua programação, Salzburg recuperou-se rapidamente.

Entre a Alemanha e a Itália, não é raro sentir que o que há de melhor dessas extraordinárias culturas convivem em Salzburg. Mas esta paz é ameaçada sempre que óperas italianas são programadas em seus dois festivais anuais, verdadeiros ícones da cultura austríaca. A polêmica se instaura, não por seus cidadãos, mas por uma parte saudosista da plateia – alimentada pela pior crítica – gosta de promover, brandindo velhas gravações. Nomes de regentes como Furtwangler, Bruno Walter e Ricardo Mutti são lembrados, assim como os de cantores líricos eleitos por eles. “Nunca mais um…”, “A incomparável…” são expressões relembradas, mas que não se sustentam. Paixão. Ópera é assim. Mas tudo ficou ainda mais intenso quando o maestro Thielemann decidiu programar Otelo para o Festival de Páscoa de 2016.

Verdi programou sua aposentadoria várias vezes, não só pelo cansaço do trabalho excessivo como também pelas disputas e frivolidades do meio artístico. Em 1871, após a estreia de Aída, anunciou sua retirada. Como Rossini em 1829, Verdi achava que a música estava mudando muito rapidamente e por caminhos que ele não trilharia. Mas essa aposentadoria de Verdi teve uma diferença fundamental daquela de Rossini, ela não seria permanente.

Um complô para fazê-lo voltar a compor, depois de um silêncio de dezesseis anos, foi montado por dois amigos: seu editor Giulio Ricordi e o maestro Franco Faccio. Depois de um jantar em sua casa, Verdi aceitou receber o libretista Arrigo Boito com os esboços de uma ópera baseada em Otelo. Todos sabiam de sua paixão por Shakespeare e Boito mostrou-se paciente ao aceitar rever com ele, antes de qualquer decisão, sua ópera Simon Boccanegra. Ao final, Verdi estava convencido.

Otelo demonstra que não era a modernidade que desagradava à Verdi – o que a ópera Falstaff, vindo em seguida, confirmou. Tudo indica que seu temor estava relacionado à falta de força física, da centelha criativa. Mas nenhum de seus medos se confirmou. Otelo é um monumento de seu último ciclo criativo e um padrão de exigência para regentes e cantores. Não se pode esquecer que o longo arco de duas horas e meia que estrutura a obra é sustentado por um mundo de detalhes imersos num largo e profundo fôlego que une compositor, regente e orquestra – eis o essencial. Para integrar esta tríade as vozes precisam ser extraordinárias como as que temos aqui.

O argentino José Cura é compositor, regente consagrado, cenógrafo e diretor, mas foi sua voz já encorpada e seu talento dramático que o levou aos principais papéis de tenor verdiano nos últimos vinte anos. Este Otelo de Cura ao lado da soprano alemã Dorothea Röschmann, como Desdêmona, marcará história no Festival – a primeira de Otelo em Salzburg desde a récita realizada por Herbert Von Karajan, trinta e seis anos atrás. A cantora alemã estreou em Salzburg, em 1995, escolhida por Nikolaus Harnoncourt, e retorna sempre à cidade, pelas mãos do maestro Abbado, como também foi levada aos principais palcos da ópera pelos maestros Levine, Colin Davis, Antonio Pappano e Barenboim. Os duetos demonstram como os desafios de Verdi não estão apenas no brilho vocal, cheios de fúria e fortíssimos, mas, sobretudo, em trechos longos, de legatos que suspendem a respiração no palco e nas plateias.

Para comemorar os 400 anos de Shakespeare, a direção de Vincent Boussard vibra pelas soluções de mais pura beleza, apoiada numa iluminação virtuosística de Guido Levi e nos figurinos brilhantes do famoso estilista francês Christian Lacroix.

A Staatskapelle Dresden não permite, nem por um compasso, que sintamos saudades da Filarmônica de Berlim em Salzburg. Seu diretor, Christian Thielemann chegou ao Festival como assistente de Karajan e, na sua geração, é difícil encontrar um nome com mais realizações.

Sim, são alemães e franceses – da melhor estirpe. E que mais perfeita homenagem poderia receber Verdi?

Bom espetáculo!