Search
sábado 18 novembro 2017
  • :
  • :

Carnaval do Sincretismo – Taquaruçu.

Por Anna Miranda

 

Se no centro da capital tem o Carnaval da Fé, no sul, mas bem ao sul mesmo, tem o Carnaval do Sincretismo. Em que ritmos afro-brasileiros embalaram gigantes pelos caminhos de Taquaruçu, distrito de Palmas, no sábado de carnaval.1-anna-miranda-giovana-kurovski-descendo-das-pernas-de-pau

Além dos tradicionais bonecos, que desde o carnaval de 2001, fazem o cortejo de quem chega para curtir a festa na serra, esse ano foi marcado também por outros gigantes, artistas circenses em pernas de paus que realizaram apresentações na Praça Maracaípe.

A iniciativa foi promovida pelos pontos de cultura do distrito com o intuito de promover a brincadeira, como explica uma das integrantes, Giovana Kurovski: “É um carnaval cultural, toca marchinha, toca tambor, você vê que não é aquela coisa só da curtição, traz também as crianças, a alegria mesmo de brincar”.

Após apresentação dos artistas circenses foi hora dos gigantes vestidos retalhos coloridos elevarem suas carrancas cantando de galos uns para os outros. A Boiúna, figura principal da corte, é um ser mítico do imaginário ribeirinho, abriu alas para essa festa cultural. Uma cobra gigante que vive no fundo de rios lagos e igarapés da Amazônia tem um corpo brilhante capaz de refletir o luar. E conduzindo os demais vai abrindo caminho para a festa ritual.

Esse ano o tempo chuvoso contribuiu para evento ter um número reduzido de participantes, mas os que vieram foram celebrados como nos conta Dona Maria do Socorro, 77 anos, moradora de Taquaruçu, que sempre acompanha a comemoração da porta de casa e agradece “O povo que vem dividir graças a Deus vem com boas intenções”.

Subindo ladeira à cima, rumo a Aldeia TabokaGrande, o símbolo do fogo é materializado no centro da roda de chão batido para queimar os tambores, mas principalmente nossas impurezas internas, fazendo florescer os desejos sinceros de quem se faz parte do ritual. Os participantes são convidados a tocarem nas cinzas e fazerem seus pedidos em meio à roda.

E então, de coração limpo e desejos proferidos, todos caem na roda para dançar em movimentos livres, seus pés remexem a terra úmida, embalados pelos tambores já queimados.

O ritmo que embala a noite é também sincrético cujo nome é capoeboicongo uma mistura de música de capoeira angola, boi-bumba e congada tocada pela banda TabokaGrande e convidados.

Hoje, na segunda-feira de carnaval os brincantes podem subir a serra, porque lá com certeza há alegria e programação cultural para crianças de todas as idades. Iniciando as 15h com Matinê até o Baile para crianças grandes.