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terça-feira 12 dezembro 2017
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Aplausos a Andreia Horta! Sobre o filme Elis.

Aplausos a Andreia Horta! Não poderia começar de outra maneira.

Elis é uma interprete maravilhosa, disso não tenho dúvidas, e está na minha galeria particular das grandes, como: Edith Piaf, Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Aretha Franklin, Amália Rodrigues e Mercedes Sosa, dentre outras.

O filme traz a história da cantora através de recortes de alguns momentos (importantes) de sua vida e carreira. Inicia com a chegada de Elis ao Rio de Janeiro em 1964 e termina com sua morte  (sua carreira começou no mesmo ano de instauração do regime militar e terminou antes do fim deste). Óbvio que há lacunas nesses recortes, em especial, para quem leu alguma biografia da cantora.

Gostar do filme Elis, do diretor Hugo Prata, depende da expectativa que você criou. Como minha expectativa foi de um filme/homenagem a uma cantora cultuada pelos brasileiros (na minha opinião a maior de todas), posso dizer que sim, gostei muito do filme.

Para quem imagina assistir no cinema, em apenas duas horas, tudo sobre a complexa Elis Regina sairá frustrado. Não há como fazê-lo em apenas um filme, impossível.

Neste sentido, afirmo que o filme não teve pretensão de mergulhar profundamente no universo da cantora, portanto não esperem ou criem essa expectativa. Porém, Elis é sim um filme bonito, um filme construído através de algumas músicas de seu vasto repertório e da bela interpretação de Andreia Horta.

E é no primeiro trunfo do filme, as músicas, que está na minha opinião a maior lacuna, posto que Elis foi a principal interprete de Milton Nascimento e de Gilberto Gil e no filme não há nenhuma música deles. Além, de não haver nenhuma menção da memorável gravação que a cantora fez com Tom Jobim. Confesso que também teria dificuldades de escolher o repertório do filme, afinal a cantora não fez escolhas ruins quanto a esse tema, porém há parcerias que precisam ser lembradas/homenageadas.

Outro fato que merecia maior menção era a importância da relação de Elis e César Camargo Mariano do ponto de vista artístico, posto que os melhores arranjos (muito sofisticados para a época) para interpretações de Elis são dele.

Assim, como há essas lacunas, há também Andreia Horta, o segundo trunfo dessa homenagem. A atriz faz uma maravilhosa interpretação da eterna pimentinha, e muitas vezes parece ser sim a cantora em cena, em especial nas tomadas de perfil.

Andreia fez uma atuação baseada na imitação dos trejeitos de Elis, e ela realmente estudou e ensaiou esses trejeitos, chega em vários momentos a perfeição. Sim, perfeição, pois em várias passagens tive a impressão de que Andreia tinha se transformado em Elis, ou melhor que Elis estava presente no filme.

Outro fato importante é o retrato traçado para os conflitos políticos que envolveram a ditadura militar: amigos presos, Elis cantando na Olimpíada do Exército, a charge de Henfil no Pasquim por causa do fato anterior, e a entoação de “O Bêbado e a Equilibrista” (música de João Bosco e Aldir Blanc) – hino informal da anistia – que pedia o retorno do irmão do Henfil (Betinho). Na atualidade é de extrema importância retratar essa época.

Logo, a atuação de Andreia, o contexto histórico e a narrativa musical são os fatores importantes que faz valer muito ir ao cinema assistir Elis, além da emoção daqueles que após 34 anos de seu falecimento continuam a cultuá-la como a maior cantora desse país.