O inquietante e breve sonho torto de Heitor Oliveira

Hayla Menares

Uma mistura de vocais que se iniciam ao redor de uma fogueira do lado de fora do teatro, instrumentos vão se contrapondo, seguindo de convites ao público de participar do espetáculo tocando algumas melodias junto com os artistas.

À primeira vista é uma experiência bem estranha e peculiar, mas muito gostosa pra quem participa dela.

Heitor e sua “trupe” envolveram à todos do início ao fim. Deixou uns tanto quanto confusos, sem entender o que se passava ali dentro. Desde a entrada ao teatro – que foi pela lateral – até tudo que aconteceu lá dentro.

Pessoas incomodadas, outras surpresas, algumas concentradas. Eu, no ápice da minha TPM, me senti um tanto quanto ignorante ali na cadeira do teatro. Olhava para os lados, era música pra todo canto. Eram músicos “encenando música”! Pra quem está acostumado com o trivial, “O Belo e Breve Sonho Torto” é uma experiência inquietante.

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Você se mexe na cadeira pra ver o músico que aparece lá atrás do teatro, depois se espicha pra ver a cantora que tirou os sapatos e a cabeça não para tentando entender porque a pianista colocou o casaco e depois tirou no intervalo de uma nota. E no meio disso tudo você ainda tem que prestar atenção na sua hora de participar do espetáculo!

Confesso que saí confusa, mas pra quem conhece o mentor disso tudo, Heitor Oliveira, não poderia esperar nada menos do que isso. Um gênio da música e um incessante estudioso de sons e novas formas de uso deles, que teve como inspiração textos dos poetas tocantinenses Paulo Aires Marinho e Thiago Ramos.

Pra mim, não foi um Belo e Breve Sonho Torto, foi um “Inquietante e breve sonho torto”, com todas as honrarias e méritos ao compositor dessa obra que me fez sair do teatro e procurar saber mais e mais sobre tudo que aconteceu ali dentro.