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segunda-feira 11 dezembro 2017
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O Decote de Vênus: A força da existência da mulher

Na sua reta final, o primeiro festival de monólogos de Palmas explora as angústias e desejos do universo feminino

Thassio Borges Marinho

O 1º Festival de Monólogos de Palmas, que teve início no dia 11 e vem acontecendo no Teatro de Bolso do Memorial Coluna Prestes, apresentou na sua penúltima noite do evento, quinta-feira (16), o monólogo O Decote de Vênus, dirigido por Maíra Bellini e estrelado por Karla Pollyana, que propôs uma reflexão acerca do autoconhecimento da mulher na sociedade.

Ao som de ”O Último Blues”, de Chico Buarque, as luzes do palco se acendem. De forma carismática e sensual, a luz dá forma à uma mulher, que dança com a certeza da sua sensualidade. Mas, ela é uma mulher solitária e cheia de angústia, o que é imediatamente percebido – ou compreendido – por quem a assiste.

“Ainda não me dei por vencida”, grita no início da apresentação. Depois de uma série de questionamentos sobre situações do cotidiano em que, geralmente, a mulher é sempre recebida com olhares de julgamento e culpa (como uma brochada masculina na hora do sexo, por exemplo). ”Fiquei procurando entender, fiquei até pensando que não tivesse mais tesão por mim”, ressalta. Ela está ali como se estivesse exaltando a cada frase dita:  Sou mulher, e faço o que quiser.

Ela olha no espelho buscando se reconhecer, bebe uma cachaça procurando esquecer e revira o passado para se punir. Com quem essa mulher está falando? Seria para seus fantasmas do passado, ou apenas para o público em busca de um desabafo e compreensão? Seu olhar mistura sensações quase impossíveis de descrever, mas que é verdadeiro o suficiente para provocar empatia em quem assiste a personagem.

Quem ela está interpretando? Eva? Vênus? No fim, a atriz não interpretou apenas uma mulher, mas um retrado de todas as mulheres, que, visitando seus passados e encarando suas dores, conseguem se libertar no final de todas as repressões impostas por uma sociedade machista e opressora. Afinal, ela é “doida pra cair na vida”.

Irônico ou não, o monólogo foi roteirizado por um homem, Gilson Cavalcante. Que por cada gesto e verso falado em cena, demonstrou ter mergulhado de cabeça no ser de uma mulher.

Palmas tem respirado arte nessa última semana, quem ainda não teve a oportunidade de conhecer o festival, ainda há tempo, hoje, é a última chance, com o monólogo “Um Ator”, às 20h.