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terça-feira 16 janeiro 2018
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A produção independente e o I Festival de Monólogo de Palmas

Por Ana Elisa Martins

Por mais incrível que seja, hoje, podemos ver que quem movimenta de fato a cena artístico-cultural palmense, é a independente. São grupos artísticos que não possuem nenhum tipo de patrocínio ou pouquíssimo apoio por traz e, que, aos ‘trancos e barrancos’ tem movimentado a cena da cidade e o resultado são eventos lindíssimos como o I Festival de Monólogos de Palmas, realizado pelo grupo 3 Marias Teatro.

O festival contou apenas com o apoio da Quavi, para a alimentação do camarim dos artistas, da revistaria Come Comics, com a venda de ingressos e do Governo do Estado com a liberação do Teatro de bolso do Memorial Coluna Preste. O resto foi articulação do grupo, com a sua produtora, Fluxo Criativo e o seu espaço de ensaios, o Portão, que resultou no festival que durou 07 dias, com 07 espetáculos distintos, oficinas e uma mesa redonda.

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Foram 07 noites, passaram no palco artistas que também atuam de forma independente e não apenas da capital. Com 03 apresentações de Gurupi, resultado de um intercâmbio que gera uma rede de troca de apoios: “essa rede não é nada institucional, não é uma associação de teatro, é uma rede de amigos, de colegas que se apoiam em suas realizações” disse o realizador e produtor do Festival Tales Monteiro.

E, dessa forma autônoma e independente que as atividades desses grupos vão se concretizando e consolidando na capital. Uma dessas consolidações é sem dúvida o espaço cultural Portão, que foi criado pelos grupos 3 Maria Teatro e a Cia Ponto 2 que se sustenta com os cursos oferecidos. O espaço oferece atividades diárias que propõem formação artística, espetáculos e vivências com uma programação mensal movimentando a cena da capital.

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Esses movimentos artísticos culturais independentes que têm crescido e ganhado força, é resultado, principalmente, de artistas que se dedicam em fazer a cena acontecer, sem esperar um retorno e enfrentado todas as dificuldades. Para Tales as dificuldades são resultado da falta de assistência do Estado de manter os seus próprios espaços públicos em funcionamento; “falta um aporte maior do poder público na estrutura básica, se a estrutura básica está ok, a gente não precisa tanto de patrocínio para fazer as nossa coisas, que a gente ocupa esses lugares e o ocupar não tem custo pra gente”, diz.

Mas, mesmo tendo que superar essas dificuldades, esses trabalhos vão abrindo portas e ganhando espaços no cotidiano da capital, “a gente não só faz, a gente procura estabelecer as bases”, explica Tales. O produtor acrescenta que “tem pessoas escrevendo sobre o festival diariamente, sobre cada espetáculo a gente encontra texto na imprensa feito de forma autônoma e isso é essa rede que vai se formando, vai se criando e a gente vai fortalecendo o nosso arredor. Os artistas estão aqui não por que alguém os comprou, estão aqui porque eles quiseram apresentar no festival, porque apoiam essa ideia e porque eles precisam se expressar”, conclui. Assim o movimento vai se fortalecendo e gerando novas possibilidades e alternativas para a produção artístico cultural independente da capital.