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segunda-feira 20 novembro 2017
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Indicações Cinema Nacional – anos 90 e 2000.

Dando continuação com a série de matérias sobre o cinema nacional, nessa terceira parte o Site TOCult traz os melhores filmes dos anos 90 e 2000, até 2009. Confiram!

Matou a Família e foi ao cinema – 1991. Julio Bressane.

Um rapaz de classe média baixa carioca mata os pais a navalhadas e vai ao cinema ver “Perdidos de Amor”. Márcia, uma jovem rica e insatisfeita, aproveita uma viagem do marido para ir até sua casa de Petrópolis, onde recebe a visita de uma velha amiga, Regina. Intercaladas com as cenas entre elas, que dançam, conversam sobre homens e se acariciam, aparecem pequenas histórias autônomas de assassinatos no interior de famílias pobres. Entre essas crônicas familiares, uma história destoa: a do preso político torturado até a morte.

O Quatrilho – 1994. Fabio Barreto.

Rio Grande do Sul, 1910. Em uma comunidade rural composta por imigrantes italianos, dois casais muito amigos se unem para poder sobreviver e decidem morar na mesma casa. Mas o tempo faz com que a esposa (Patricia Pillar) de um (Alexandre Paternost) se interesse pelo marido (Bruno Campos) da outra (Glória Pires), sendo correspondida. Após algum tempo, os dois amantes decidem fugir e recomeçar outra vida, deixando para trás seus parceiros, que viverão uma experiência dramática e constrangedora, mas nem por isto desprovida de romance.

Guerra de Canudos – 1996. Sérgio Rezende

Em 1893, Antônio Conselheiro (José Wilker) e seus seguidores começam a tornar um simples movimento em algo grande demais para a República, que acabara de ser proclamada e decidira por enviar vários destacamentos militares para destruí-los. Os seguidores de Antônio Conselheiro apenas defendiam seus lares, mas a nova ordem não podia aceitar que humildes moradores do sertão da Bahia desafiassem a República. Assim, em 1897, esforços são reunidos para destruir os sertanejos. Estes fatos são vistos pela ótica de uma família com opiniões conflitantes sobre Conselheiro.

O Que é Isso, Companheiro? – 1997. Bruno Barreto.

Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e ao Urso de Ouro de Berlim, o longa de Barreto conta a história verídica do sequestro do embaixador dos Estados Unidos por militantes contrários à ditadura. O filme adota diferentes pontos de vista, num roteiro mais ficcional do que documental, e traz Fernanda Torres, Pedro Cardoso e Luiz Fernando Guimarães no elenco.

Baile Perfumado – 1997.  Lírio Ferreira.

Em 1936, Lampião (Luiz Carlos Vasconcelos) era uma mistura de herói, bandido e mito. Por essa razão, um fotógrafo libanês (Duda Mamberti) se interessa em registrar o cangaceiro. O filme mistura imagens de arquivo às cenas gravadas. Além de premiações, Baile Perfumado (RioFilme) tem sua importância por ser o primeiro longa pernambucano a ser realizado após a Retomada.

Central do Brasil – 1998. Walter Salles.

Um dos filmes nacionais mais famosos e respeitados (no Brasil e no mundo), “Central do Brasil” traz Fernanda Montenegro no papel central desse drama sobre uma mulher e um menino que viajam, unidos pelo acaso. O filme ganhou o Urso de Ouro em Berlim e o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, além de ser indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e ao Oscar de Melhor Atriz (Fernanda Montenegro).

Um Copo de Cólera -1999. Aluizio Abranches.

Nos arredores de São Paulo, um ex-ativista (Alexandre Borges) constrói em uma chácara um mundo à parte. Após uma noite de amor intenso com uma jornalista politizada (Julia Lemmertz), todo o clima desaparece quando ele tem um ataque de cólera quando nota que as saúvas fizeram um rombo na sua cerca viva. Este fato, que normalmente não teria maiores conseqüências, gera inúmeras acusações por ambas as partes.

Orfeu – 1999. Carlos Diegues.

Orfeu (Toni Garrido) é um popular compositor de uma escola de samba carioca. Residente de uma favela, ele se apaixona perdidamente quando conhece a bela Eurídice (Patrícia França), uma mulher que acaba de se mudar para o local. Mas entre eles existe ainda Lucinho (Murilo Benício), chefe do tráfico local, que irá modificar drasticamente a vida de ambos

O Auto da Compadecida – 2000. Guel Arraes.

Queridinho do público brasileiro, este filme-teatro inspirado na obra de Ariano Suassuna reúne a poderosa dupla formada por Matheus Nachtergaele e Selton Mello. Os dois são pequenos golpistas que lutam para sobreviver no sertão nordestino, até que se envolvem com um perigoso cangaceiro. Eventualmente, eles terão que lidar com Deus, o Diabo e a Virgem Maria.

Madame Satã – 2001. Karim Ainouz

Rio de Janeiro, 1932. No bairro da Lapa vive encarcerado na prisão João Francisco (Lázaro Ramos), artista transformista que sonha em se tornar um grande astro dos palcos. Após deixar o cárcere, João passa a viver com Laurita (Marcélia Cartaxo), prostituta e sua “esposa”; Firmina, a filha de Laurita; Tabu (Flávio Bauraqui), seu cúmplice; Renatinho (Felippe Marques), sem amante e também traidor; e ainda Amador (Emiliano Queiroz), dono do bar Danúbio Azul. É neste ambiente que João Francisco irá se transformar no mito Madame Satã, nome retirado do filme Madame Satã (1932), dirigido por Cecil B. deMille, que João Francisco viu e adorou.

 Abril Despedaçado – 2001. Walter Salles

Em abril de 1910, na geografia desértica do sertão brasileiro vive Tonho (Rodrigo Santoro) e sua família. Tonho vive atualmente uma grande dúvida, pois ao mesmo tempo que é impelido por seu pai (José Dumont) para vingar a morte de seu irmão mais velho, assassinado por uma família rival, sabe que caso se vingue será perseguido e terá pouco tempo de vida. Angustiado pela perspectiva da morte, Tonho passa então a questionar a lógica da violência e da tradição.

Bicho de Sete Cabeças  – 2001. Laís Bondanzky

Seu Wilson (Othon Bastos) e seu filho Neto (Rodrigo Santoro) possuem um relacionamento difícil, com um vazio entre eles aumentando cada vez mais. Seu Wilson despreza o mundo de Neto e este não suporta a presença do pai. A situação entre os dois atinge seu limite e Neto é enviado para um manicômio, onde terá que suportar as agruras de um sistema que lentamente devora suas presas.

Lavoura Arcaica – 2001. Luiz Fernando Carvalho.

Lavoura Arcaica é um filme longo, de fôlego, que ocupa mais de 2h30 para adaptar o livro de Raduan Nassar para as telas. Selton Mello é André, um dos filhos de uma família rural que se saiu diferente dos outros: ele não se conforma com a vida agrária, nem com a rígida moralidade do pai, e vive em conflito com os próprios impulsos sexuais. O filme explora, ainda, a noção do tempo: lento e paciente para o pai, acelerado e pulsante para o filho.

Edifício Master – 2002. Eduardo Coutinho

O cinema brasileiro sempre teve um pé no documentário e um de seus maiores representantes foi Coutinho. Com “Edifício Master”, o diretor conseguiu levar o gênero ao grande público, que se encantou com as histórias íntimas e curiosas dos moradores de um grande edifício carioca.

Durval Discos – 2002. Anna Muylaert.

Durval (Ary França) e sua mãe Carmita (Etty Fraser) vivem há muitos anos na mesma casa onde funciona a loja Durval Discos, que já foi muito conhecida no passado mas hoje vive uma fase de decadência devido à decisão de Durval em não vender CDs e se manter fiel aos discos de vinil. Para ajudar sua mãe no trabalho de casa Durval decide contratar uma empregada. O baixo salário acaba atraindo Célia (Letícia Sabatella), uma estranha candidata que chega junto com Kiki (Isabela Guasco), uma pequena garota. Após alguns dias de trabalho Célia simplesmente desaparece, deixando Kiki e um bilhete avisando que voltaria para buscá-la dentro de 3 dias. Durval e Carmita ficam surpresos com tal atitude, mas acabam cuidando da garota. Até que, ao assistir o telejornal, mãe e filho ficam cientes da realidade em torno de Célia e Kiki.

Amarelo Manga – 2002. Claudio Assis.

O primeiro longa de ficção de Claudio Assis já traz a fibra pela qual o cineasta é reconhecido. Amarelo Manga (Califórnia) tem como centro narrativo um bar na periferia de Recife, cuja proprietária é Lígia (Leona Cavalli). Todos os personagens exóticos que participam do filme são de alguma maneira ligados ao boteco. Há o açougueiro (Chico Díaz) casado com uma mulher religiosa (Dira Paes), o pervertido Isaac (Jonas Bloch), entre outros. A produção foi ganhadora do Festival de Toulouse (França).

Cidade de Deus – 2002. Fernando Meirelles.

Buscapé (Alexandre Rodrigues) é um jovem pobre, negro e muito sensível, que cresce em um universo de muita violência. Buscapé vive na Cidade de Deus, favela carioca conhecida por ser um dos locais mais violentos da cidade. Amedrontado com a possibilidade de se tornar um bandido, Buscapé acaba sendo salvo de seu destino por causa de seu talento como fotógrafo, o qual permite que siga carreira na profissão. É através de seu olhar atrás da câmera que Buscapé analisa o dia-a-dia da favela onde vive, onde a violência aparenta ser infinita.

Carandiru: O Filme – 2003.  Héctor Babenco.

Um médico (Luiz Carlos Vasconcelos) se oferece para realizar um trabalho de prevenção a AIDS no maior presídio da América Latina, o Carandiru. Lá ele convive com a realidade dos cárceres, que inclui violência, superlotação das celas e instalações precárias. Porém, apesar de todos os problemas, o médico logo percebe que os prisioneiros não são figuras demoníacas, existindo dentro da prisão solidariedade, organização e uma grande vontade de viver.

Cinema, Aspirinas e Urubus – 2004.  Marcelo Gomes.

Em 1942, no meio do sertão nordestino, dois homens vindos de mundos diferentes se encontram. Um deles é Johann (Peter Ketnath), alemão fugido da 2ª Guerra Mundial, que dirige um caminhão e vende aspirinas pelo interior do país. O outro é Ranulpho (João Miguel), um homem simples que sempre viveu no sertão e que, após ganhar uma carona de Johann, passa a trabalhar para ele como ajudante. Viajando de povoado em povoado, a dupla exibe filmes promocionais sobre o remédio “milagroso” para pessoas que jamais tiveram a oportunidade de ir ao cinema. Aos poucos surge entre eles uma forte amizade.

Cidade Baixa – 2005. Sérgio Machado.

Deco (Lázaro Ramos) e Naldinho (Wagner Moura) se conhecem desde garotos, sendo difícil até mesmo falar em um sem se lembrar do outro. Eles ganham a vida fazendo fretes e aplicando pequenos golpes a bordo do Dany Boy, um barco a vapor que compraram em parceria. Um dia surge Karinna (Alice Braga), uma stripper que deseja arranjar um gringo endinheirado no carnaval de Salvador a quem a dupla dá uma carona. Após descarregarem em Cachoeira, Deco e Naldinho vão até uma rinha de galos. Naldinho aposta o dinheiro ganho com o frete, mas se envolve em confusão e termina recebendo uma facada. Deco defende o amigo e ataca o agressor, mas os dois são obrigados a fugir no barco, rumo a Salvador. Enquanto Naldinho se recupera, Deco tenta conseguir dinheiro para ajudar o amigo. Ao chegarem em Salvador a dupla reencontra Karinna, que está agora trabalhando em uma boate. Aos poucos a atração entre eles cresce, criando a possibilidade de que levem uma vida a três.

O Céu de Suely – 2006. Karim Ainouz.

Hermila (Hermila Guedes) é uma jovem de 21 anos que está de volta à sua cidade-natal, a pequena Iguatu, localizada no interior do Ceará. Ela volta juntamente com seu filho, Mateuzinho, e aguarda para daqui a algumas semanas a chegada de Mateus, pai da criança, que ficou em São Paulo para acertar assuntos pendentes. Porém o tempo passa e Mateus simplesmente desaparece. Querendo deixar o lugar de qualquer forma, Hermila tem uma idéia inusitada: rifar seu próprio corpo para conseguir dinheiro suficiente para comprar passagens de ônibus para longe e iniciar nova vida.

O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias – 2006. Cao Hamburguer.

Durante a Copa do Mundo de 1970, os pais de Mauro dizem ao filho que vão sair de férias, mas na verdade estão saindo do país para escapar da repressão na ditadura militar. Sem entender, o garoto de 12 anos acaba indo morar com um judeu solitário em seu prédio em São Paulo. Indicado ao Urso de Ouro.

A festa da menina morta – 2008. Matheus Naschtergaele.

Há 20 anos uma pequena população ribeirinha do alto Amazonas comemora a Festa da Menina Morta. O evento celebra o milagre realizado por Santinho, que após o suicídio da mãe recebeu em suas mãos, da boca de um cachorro, os trapos do vestido de uma menina desaparecida. A menina jamais foi encontrada, mas o tecido rasgado e manchado de sangue passa a ser adorado e considerado sagrado. A festa cresceu indiferente à dor do irmão da menina morta, Tadeu. A cada ano as pessoas visitam o local para rezar, pedir e aguardar as “revelações” da menina, que através de Santinho se manifestam no ápice da cerimônia.

Dzi Croquettes – 2009. Raphael Alvarez e Tatiana Issa.

Em 1972 estreava o primeiro show dos Dzi Croquettes. Com homens usando roupas femininas, de forma a mostrar as pernas cabeludas e a barba, ele logo foi um sucesso. Apesar disto, foi também banido pelo Serviço Nacional de Teatro. Incorporando o espírito da contracultura reinante na época, os Dzi Croquettes usavam a irreverência para criticar a ditadura militar brasileira.

Budapeste -2009. Walter Carvalho

José Costa (Leonardo Medeiros) é um bem sucedido ghost writer. Ao retornar do Congresso de Escritores Anônimos, em Istambul, uma ameaça de bomba faz com que seu vôo aterrisse em Budapeste, na Hungria. Logo ao chegar, se apaixona pelo idioma local. Já de volta ao Rio ele reencontra Vanda (Giovanna Antonelli), sua esposa, e o filho. Entretanto sua vida torna-se cada vez mais infeliz, o que faz com que comece a murmurar em húngaro enquanto dorme. Para salvar o casamento Costa passa a escrever autobiografias, numa tentativa de que a vida de outras pessoas o salve do tédio que sente. Seu maior sucesso comercial é “O Ginógrafo”, que conta as aventuras amorosas de um alemão, Kaspar Krabbe (Antonie Kamerling), no Brasil. Só que Vanda se apaixona por Krabbe, acreditando ser ele o autor do livro, o que faz com que Costa sinta-se traído e ressentido com o trabalho que exerce.

Do Começo Ao Fim – 2009.  Aluizio Abranches. 

Julieta (Julia Lemmertz) tem dois filhos com uma diferença de seis anos de idade, Francisco (Lucas Cotrim) e Thomás (Gabriel Kaufmann), e com maridos diferentes: Pedro (Jean-Pierre Noher) e Alexandre (Fabio Assunção). Os dois irmãos se tornam grandes amigos desde pequenos e, quando adultos, transformam esta amizade em algo mais profundo e polêmico.

À Deriva – 2009. Heitor Dhalia.

Búzios, início dos anos 80. Filipa (Laura Neiva) é uma adolescente de 14 anos que passa as férias com seus pais, Matias (Vincent Cassel) e Clarice (Débora Bloch), e ainda os irmãos Fernanda (Izadora Armelin) e Antônio (Max Huzar). Clarice está sempre embriagada, destilando veneno contra o marido. Já Matias está mais preocupado em concluir seu novo livro, o que o torna desleixado em relação aos problemas da famíia. Filipa vive à margem desta situação, até que um dia flagra o pai beijando Ângela (Camilla Belle), uma bela americana que mora no local.

E proibido fumar – 2009. Anna Muylaert.

Baby (Glória Pires) vive sozinha no apartamento que herdou da mãe. Ela dá aulas de violão para alguns alunos e vive em atrito com as irmãs. Quando o músico Max (Paulo Miklos) se muda para o apartamento vizinho, Baby vê nele a grande chance de voltar à vida. Para que o romance dê certo ela está disposta a enfrentar qualquer ameaça, inclusive seu vício compulsivo por fumar.