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terça-feira 22 maio 2018
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Dia internacional de combate a discriminação Racial

O Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial foi criado pela ONU e celebra-se no dia de hoje, em referência ao Massacre de Sharpeville.

Mas o que é raça?

A raça é um conceito que obedece diversos parâmetros para classificar diferentes populações de uma mesma espécie biológica, conforme as características genéticas ou fenotípicas. 

A antropologia entre os séculos XVII e XX  usou igualmente várias classificações de grupos humanos no que é conhecido como Raças Humanas, desde que se utilizaram os métodos genéticos para estudar populações humanas, essas classificações e o próprio conceito de “raças humanas” deixaram de ser utilizados, persistindo o uso do termo apenas na política, quando se pede “igualdade racial” ou na legislação quando se fala em “preconceito de raça”. Um conceito alternativo para raça seria etnia – logo teríamos a discriminação de etnias e não de raças

No que tange ao exposto para a espécie humana “raça” corresponde a um conceito social, não a um conceito científico, posto que para o IBGE em seu senso o conceito de raça fica simplista, denotando apenas o que se denomina cor da pele em um país continental e multicultural.

Logo, na minha opinião, neste dia tão importante, deveríamos discutir a discriminação a etnias e não apenas a raça, pois o assunto se torna ineficaz aos olhos do que se popularizou como raça.

Sobre discriminação racial.

Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública.

Como se apresenta a discriminação racial ou  Racismo?

O racismo se apresenta, de forma velada ou não, contra judeus, árabes, afrodescendentes, entre outros, em forma de discriminação, bem como de maneira excludente, geralmente privando princípios universais como liberdade e igualdade.
Um exemplo claro de racismo e com desdobramentos até dias atuais é o Nazismo que dizimou uma quantidade absurda de Judeus e Ciganos no período da Segunda Guerra Mundial. Mais absurdo ainda é verificar que em pleno século XXI existam pessoas que cultuam o Nazismo, denominadas de Neonazistas e que tentam preservar a memória, bem como as práticas utilizadas na ocasião, disseminando o ódio e o preconceito de forma gratuita e na maioria das vezes permeadas por violência.

Outro exemplo de racismo com sérias consequências até dias atuais foi o regime do  Apartheid  na Africa do Sul. Para os muitos que preferem não se recordar a palavra  Apartheid  significa separação e foi um regime de segregação racial adotado de 1948 a 1994 pelos sucessivos governos do Partido Nacional naquele país, no qual os direitos da maioria dos habitantes foram cerceados pelo governo formado pela minoria de “raça branca”. É muito triste pensar que o regime em questão foi adotado como politica oficial de Estado apos a eleição de 1948 e que o mundo assistiu durante 46 anos, ou seja, quase meio século, praticamente calado, salvo algumas poucas exceções  a esse horror, verdadeiro horror contra a “raça negra” .

Um terceiro exemplo é o preconceito velado ou não as pessoas de “raça negra” no Brasil, sobretudo porque tal “raça” representa quase 50% da nação, ou cerca de 100 milhões de pessoas.

O racismo exercido pelos brasileiros é totalmente inaceitável, como pode-se ser segmentário e tratar como minoria um grupo que compõem a metade da sua população?

Isso é uma chaga aberta e que continua a sangrar na sociedade brasileira, e pior a nossos olhos. Muitos podem descordar , a opinião é livre, a liberdade é cara demais, porém há que se lembrar que estudos científicos variados comprovam os fatos além é claro do preconceito escancarado nas mídias sociais que vitimou pessoas famosas e não famosas nos últimos tempos.

A discriminação racial – ou no meu conceito, discriminação por etnia – merece ser debatida constantemente e não apenas no dia de hoje.

Precisamos urgentemente abrir os olhos para os acontecimentos atuais e inibir qualquer tentativa de discriminação e preconceito, seja por raça, sexo, credo, cor, etnia, escolhas politicas, entre tantas outras que fazem do momento atual no qual vivemos, um dos momentos mais delicados da História Moderna, não somente para nosso país, mas sim para o mundo.

Ademais meu respeito particular a todas as diferenças e minha luta pessoal contra toda e qualquer forma de discriminação.

Sobre o Massacre de Sharpeville que originou a data.

Em 21 de março de 1960, em Joanesburgo, na Africa do Sul, 20.000 pessoas faziam um protesto contra a Lei do Passe, que obrigava a população negra a portar um cartão que continha os locais onde era permitida sua circulação. Porém, mesmo tratando-se de uma manifestação pacífica, a polícia do regime de Apartheid abriu fogo sobre a multidão desarmada resultando em 69 mortos e 186 feridos.

Sobre a pratica do racismo na Internet:

Muitos internautas que antes da popularização do conglomerado de computadores interligados não tinham coragem de se manifestar, encontraram na internet a ferramenta perfeita para alcançar o maior número de pessoas possíveis a fim de divulgar seus preconceituosos. Neste sentido existem milhares de sites, blogs,  que pregam o racismo. As pessoas aproveitam a facilidade de criar perfis falsos para disseminarem o ódio racial e intolerância. Sem controle claro e sem grandes exigências as mídias sociais tornaram-se abrigo certo para a disseminação de ódio e falta de respeito para com as diferenças.

No ano de 2006 foi aprovado projeto de Lei do Senador Paulo Paim (PT-RS), que prevê pena de reclusão de dois a cinco anos e multa aos responsáveis por crimes de discriminação divulgados via internet.

Sobre o crime de racismo no Brasil:

O racismo passou a ser considerado crime a partir de 1988, quando a Constituição Federal definiu que a prática poderia até sujeitar o culpado com pena de reclusão. Até mesmo o racismo praticado na internet, é visto como crime atualmente, o qual a pessoa pode ter que pagar multa e pegar até 5 anos de prisão.