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quinta-feira 19 outubro 2017
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Iniciativas indígenas serão Pontos de Cultura

Ministério da Cultura
A sede do Instituto Raoni, em Colíder, no norte de Mato Grosso (MT), ganhará uma sala de audiovisual com equipamentos atualizados de edição e finalização de imagem e som, no projeto “Cine Raoni”. Um cineasta indígena vai orientar os trabalhos na sala, aberta a toda a comunidade, e os vídeos editados pelos indígenas serão apresentados na cidade e nas aldeias.
Em Águas Belas, Pernambuco (PE), o “Coletivo Fulni-ô de Cinema” vai investir na produção e reprodução de material audiovisual já existente na comunidade, e que será incluído na educação escolar como suporte para professores que ministram as aulas de língua materna Yaathe.
As duas iniciativas estão entre os 20 projetos audiovisuais das 70 ações culturais selecionados pelo edital “Prêmio Pontos de Cultura Indígena” e beneficiadas com R$ 40 mil, cada uma, pelo Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC) em parceria com a Secretaria do Audiovisual (SAv) e a Fundação Nacional do Índio (Funai). A portaria de divulgação dos projetos selecionados foi publicada no dia 24 de dezembro de 2015 pela SCDC/MinC.
Sobre a parceria da SAv no edital, o secretário do Audiovisual, Pola Ribeiro ressalta que a decisão de participar dessa iniciativa da SCDC é, antes de tudo, uma ação de apoio ao Ponto de Cultura, um dos projetos prioritários do MinC.
“O entrosamento que a SCDC já tem com a questão indígena facilitou essa articulação, que trará recursos para ampliar o projeto. A questão indígena no Brasil está passando por uma transformação já há algum tempo, com a valorização do ponto de vista indígena. ‘Nada sobre nós sem nós’, é o que querem os índios, ao se manifestarem não só sobre suas questões mas também sobre a cidade, sobre o desenvolvimento urbano, sobre a indústria, sobre o desenvolvimento do mundo. E é esse ponto de vista indígena que queremos transformar em comunicação, em expressão audiovisual, para dar voz a essa população”, diz Pola Ribeiro.

Afirmação étnica

Edson Santini, coordenador do Instituto Raoni e do projeto “Cine Raoni”, destaca que serão muitos os benefícios para sua comunidade, com os recursos do edital. “Este projeto tem grande importância porque vai contribuir com o processo de afirmação étnica e de valorização cultural dos povos indígenas, fortalecendo sua autodeterminação e seus patrimônios culturais, por meio de recursos audiovisuais. Também vai promover um amplo diálogo cultural e a formação de uma audiência crítica e diversa”, afirma Santini.
O prêmio para o “Coletivo Fulni-ô de Cinema”, também selecionado no edital, vai permitir a ampliação e o aperfeiçoamento das ações audiovisuais da comunidade, segundo Acione Ferreira, representante da organização pernambucana Coletivo Fulni-ô.
“Os recursos serão investidos na produção e reprodução do material que antes ficava armazenado em um HD e que, agora, será introduzido nas aulas de língua Yaathe.  A proposta é ampliar o Coletivo com oficinas para estudantes e membros da comunidade, assim como ampliar o número dos equipamentos e adquirir novos recursos tecnológicos de captação de imagem e edição, para que possamos realizar trabalhos de cunho profissional”, explica Acione.
Rafael Maximiniano, representante da SAv/MinC na Comissão de Avaliação e Seleção criada pela SCDC para o edital “Prêmio Pontos de Cultura Indígena”, explica que os contatos e o compartilhamento de ideias dos membros da comissão – que contava também com quatro representantes indígenas – foram muito proveitosos e um verdadeiro aprendizado para todas as partes, com a participação ativa nas discussões e na avaliação final do processo como um todo.
“Acredito que o edital, além de premiar as iniciativas audiovisuais indígenas, servirá para mapear o cenário do audiovisual feito por esses povos e também para estimular o seu crescimento. Os povos indígenas têm muito a nos ensinar sobre questões socioambientais, e a preservação e fortalecimento de suas culturas é de interesse de todo o Brasil. A relação do Ministério da Cultura com os povos indígenas deve servir para dar mais voz a esse segmento da população que vem sofrendo ataques diários em suas terras”, avalia Rafael.
Recursos e propostas
O valor global do edital é de R$ 2,8 milhões, sendo R$ 2 milhões da administração direta, e R$ 800 mil do Fundo Nacional de Cultura.
O concurso busca o fortalecimento da identidade dos povos indígenas e o reconhecimento da sua importância para a diversidade cultural brasileira, promovendo o diálogo entre indígenas e não indígenas e subsidiando a elaboração de políticas públicas específicas voltadas às expressões culturais e aos anseios dos mais de 300 povos indígenas falantes de cerca de 270 línguas diferentes no país.
A proposta é valorizar e estimular as manifestações culturais de povos indígenas, já realizadas ou em andamento, certificando-as como Pontos de Cultura que incluam eventos, atividades e ações coletivas, em todas as suas formas, contribuindo para o fortalecimento e para a dinâmica das diferentes identidades étnicas e culturais indígenas no Brasil, e para sua difusão, além dos limites de suas comunidades de origem.