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segunda-feira 24 setembro 2018
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Natal! Lembranças! O pedido de uma menina e o ser solidário com os nossos

Quando eu era pequeno, em minha cidade natal, lá pelos idos de 1980 e poucos, sempre questionava o porquê de Papai Noel só aparecer uma vez por ano e no final do ano.

Sempre me respondiam, que ele vinha no final do ano para avaliar a conduta das crianças e verificar dentre elas as que melhor se comportaram e assim recompensá-las. Péssima explicação para um garoto, afinal me comportava muito bem, e nunca era recompensado.

Indagava também o porquê do dito bom velhinho trazer tantos presentes para uns em seu trenó e para tantos outros não trazer nada. Seria por causa da chaminé que eu não tinha na minha casa? Seria por causa daquele belo sapatinho que muitos colocavam na beira da lareira e que eu não tinha para colocar?

Durante alguns anos até atingir o discernimento, cresci com essas indagações e quando realmente entendi tudo que cercava o mito do Papai Noel, já era tarde demais, pois passei a não gostar da data de natal, passei a acha-la uma data injusta com muitos, meramente comercial, sem brilho, sem felicidade e com segregação entre pessoas.

Já na idade adulta, comecei a encarar a data como a oportunidade de fazer algo por quem precisa, mesmo sendo muito pouco, talvez para tirar os traumas em mim gerados.

No entanto, tudo mudou faz 3 anos quando minha cidade – Palmas – começou a ser enfeitada para a data. A impressão que tenho é que meu espirito natalino renasceu, assim como de muitos de meu convívio.

Este ano decidi que queria escrever algo sobre o Natal e iniciei a busca de histórias para aqui contar. Primeiramente pensei em escrever sobre o encanto das pessoas ao visitar a belíssima Vila de Papai Noel no Parque Cesamar ou a fascinação pelo túnel de luz de 15 Km na Avenida Teotônio Segurado.

No entanto, esta semana que passou, uma grande amiga – Joelma Almeida – funcionária dos Correios, me telefonou para contar sobre uma “cartinha de Papai Noel” que ela e um grupo de amigos da empresa adotaram para beneficiar nessa ocasião.

Confesso que já adotei algumas cartinhas do Correios, o que realmente foi gratificante, por acreditar no trabalho da Empresa, em especial neste trabalho tão bonito que é receber as cartas, realizar a triagem por tipo de pedido e disponibiliza-las para que a população possa adotar e assim realizar o desejo de uma criança.

Minha amiga me contou que este ano os Correios receberam quase 11 mil cartas e que dentre essas, uma em especial chamou a atenção dos colaboradores da empresa, a carta da menina Leticia.

Alguns colaboradores do Correio então decidiram adotar a carta de Leticia e assim fazer o papel de Papai e Mamãe Noel, neste maravilhoso domingo, 13 de dezembro.

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Leticia participa conjuntamente com outras 60 crianças em situação de vulnerabilidade da evangelização dos Centros Espirita: CELUZ E NEPAL.

Ambos os Centros possuem o projeto Coral Espirita Pequenos Cantores, como forma de entretenimento e aprendizagem para essas crianças.

Leticia, uma menina de 12 anos, indo contra o mote dos dias atuais que é o egoísmo e o egocentrismo, escreveu uma carta ao Papai Noel dos Correios pedindo uma festa de encerramento das atividades do Coral para todos os seus amigos. Raro ver uma criança de 12 anos com esse desprendimento, onde poderia pedir o que não tem e até talvez o que nunca teve pela situação na qual se encontram essas crianças, e mesmo assim pediu pelo coletivo. Isso me motivou a cobrir o evento, que aconteceu no último domingo 13/12/2015, as 13:30h no clube do SEST/SENAT.

O evento contou com a festa solicitada pela Leticia, com bolo, refrigerante, salgados e doces. Tudo que criança gosta.

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O evento contou ainda com uma apresentação do Coral que nos agraciou com quatro belas canções natalinas.

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Além da festa solicitada por Leticia, as crianças puderam contar nesse dia com atividades de recreação com o pula-pula e a piscina.

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O clima do domingo foi de total felicidade por parte das crianças e todos os presentes que contribuíram de alguma forma para que o sonho da Leticia fosse realizado.

O TOCult conversou com a coordenadora do Coral a terapeuta Renata Madalena Lacerda Marinopara entender um pouco mais do projeto.

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TOCult:Renata agradeço por nos atender. Fale-nos sobre o Projeto “Coral Espirita Pequenos Cantores”.

Renata: Este é um projeto de 5 Casas Espiritas de Palmas, onde temos aulas de evangelização e conjuntamente com essas o momento de laborterapia, que pode ser pintura, música, trabalhos manuais, entre outros. Contudo, dentre essas atividades as crianças, em sua grande maioria, escolheram a música, onde atuo como coordenadora.

Para dar vida ao projeto e continua-lo, sem quase nenhum apoio financeiro, eu mesma angario auxilio conforme as necessidades, como: xerox de músicas para o aprendizado, camisetas para o coral, passeios, entretenimento, entre outros.

TOCult: Quais são os Centros Espiritas que participam desse Projeto?

Renata:São cinco centros: Centro Espirita Caridade é o Caminho, Casa do Caminho, Chico Xavier, Caminho de Luz e Nepal – Núcleo espirita Amor Paz e Luz.

TOCult: De onde são as crianças?

Renata: São crianças do Jardim Taquari, dos Aurenys, Morada do Sol, do Jardim Aeroporto.

TOCult: Como procede o acolhimento dessas crianças?

Renata:Eu mesma as acolho, busco-as em suas casas para levar para a evangelização e o ensaio do Coral. Temos 2 encontros por semana: no sábado de manhã no Centro Espirita Caminho de Luz no Jardim taquari e no domingo de manhã no Maria Julia, no Aureny, onde está funcionando o Centro Espirita NEPAL.

Faço questão de que as crianças façam o momento de evangelização, pois o momento em si as transformam, deixando-as mais responsáveis, ensinando sobre as escolhas corretas a se fazer, sobre as boas amizades, sobre a importância de estudar, sobre o perdão, sobre o amor por si e pelo próximo, sobre a compreensão do outro. Além do contato com as crianças, faço questão de conhecer e conversar com os pais ou responsáveis, para criar um elo de amizade e confiança entre nós.

TOCult: Renata essas crianças estão na linha da pobreza e possuem família desestruturada?

Renata: Sim, são todas as situações que você possa imaginar. Há crianças que não tem pai, há aquelas que não tem mãe. Há também as que não possuem ambos. Crianças que vivem com. Crianças que pai e mãe trabalham o dia todo e as mesmas ficam só em casa.

Para se ter uma ideia, muitas vezes chego na casa de algumas delas e a geladeira tem apenas água. São crianças que temos que cuidar para não perde-las para as drogas, a prostituição e outras mazelas sociais. Eu tenho essas crianças como meus filhos. Queria dar a eles o que consigo dar aos meus filhos, como um passeio no cinema, uma viagem, um bom almoço. Mas é impossível. Infelizmente!

TOCult: Quanto a ajuda financeira? Como se dá?

Renata: Não temos ajuda financeira de ninguém para a manutenção do coral de forma direta. Tenho ajudas por demandas. Quando necessito de algo peço aos que conheço, as empresas que tenho abertura.

Por outro lado temos o SEST/SENAT que doa sempre o espaço de seu clube para que eu possa trazer as crianças para um momento de alegria e descontração. Todas as vezes que isso acontece o SEST/SENAT os presenteia com picolé e pula-pula, além é claro da infraestrutura do clube, com piscinas e quadras para pratica de esportes. Tenho que destacar também a Empresa Miracema que sempre doa um ônibus para o translado das crianças em nossos poucos passeios.

TOCult: Há outro projeto para a formação dessas crianças?

Renata: Sim, no quesito espiritual. Agora estou desenvolvendo o evangelho no lar com eles. Gravei um DVD com músicas de evangelização para que os mesmos ouçam e sintam o amor que essas músicas transmitem. Com o evangelho no lar, aos poucos eles poderão envolver os familiares e talvez com isso ajudar a modificar alguma realidade. Se ajudar já estarei feliz.

Neste Natal façam como os colaboradores dos Correios. Adotem a felicidade de uma criança ou de várias crianças.