Search
quarta-feira 13 dezembro 2017
  • :
  • :

Dia Nacional do Cordelista

No dia 19 de Novembro é comemorado no Brasil o Dia Nacional dos Cordelistas.  A data foi criada em homenagem ao pioneiro Leandro Gomes de Barros, nascido nessa mesma data em 1865.

Entre os grandes nomes e mais populares cordelistas, podemos citar Patativa do Assaré e Zé da Luz, este ultimo popularizado pelo grupo Cordel do Fogo Encantado que interpreta Ai se sêsse!

O cordelista é um patrimônio cultural nacional, não reconhecido formalmente, e assim deve ser tratado. Sempre nos trazem histórias prontas para povoar nosso imaginário em um mundo simples e muito rico de cultura.

Aqui no Tocantins, tivemos a honra de ter um grande fomentador dessa arte, o poeta Ruiter Lima, que viveu em terras palmenses cerca de 1 ano e apesar do pouco tempo, deixou sua marca e poesia. “Seu” Ruiter, como é carinhosamente chamado pelos amigos, nasceu  em Rialma (GO), é  filho de maranhese com baiana e desenvolveu a paixão pelo Nordeste dentro de casa. É idealizador do projeto “Sertão de Cabo à Rabo” que integra poesia, teatro e música na cultura nordestina (http://www.sertaodecaboarabo.org/). Hoje mora em Brasília e realiza o famoso Sarau da Tribo das Artes.

Além da poesia, Ruiter Lima é mestre na arte da xilogravura, uma técnica onde as imagens são entalhadas na madeira deixando em relevo a parte que pretende fazer a reprodução, como um carimbo: aqueles famosos desenhos dos folhetos de cordel.

Apresentação do espetáculo Sertão de Cabo a Rabo

Leandro Gomes de Barros

Leandro nasceu na Fazenda Melancia, município de Pombal, Estado da Paraíba. A Fazenda pertencia aos seus avós maternos por quem Leandro foi criado após a morte de seu pai, José Gomes de Barros Lima. Ordenado sacerdote, aos 24 anos de idade mudou-se para a cidade de Teixeira em Pernambuco em 1846, e permaneceu ali durante 61 anos. Faleceu em 13 de dezembro de 1907, com 85 anos de idade.

Em Teixeira, Leandro conviveu com grandes violeiros como Inácio da Catingueira, Romano da Mãe d’Água, Bernardo Nogueira. Com eles adquiriu o admiração pela poesia popular e onde começou a criar seus cordéis. De Teixeira mudou-se para Vitória de Santo Antão e de lá para o Recife, em Afogados.

Leandro era casado com Dona Venustiniana Eulália de Barros, união da qual nasceram 04 filhos, três mulheres e um rapaz. A mais velha, Raquel Aleixo de Barros Batista  (1894-1921) casou-se com o poeta Pedro Batista. Os outros filhos eram Esaú Eloy, Julieta (ou Gilvanetta) e Herodias.

Patativa do Assaré

Patativa do Assaré

 Patativa do Assaré

Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré é uma das principais figuras da música nordestina do século XX, ficou cego muito novo do olho direito. Com a morte de seu pai, quando tinha oito anos de idade, passou a ajudar sua família no cultivo das terras. Aos doze anos, frequentava a escola local, na qual foi alfabetizado por apenas alguns meses e a partir dessa época, começou a fazer repentes e a se apresentar em festas e outras ocasiões. Por volta dos vinte anos recebeu o pseudônimo de Patativa, por ser sua poesia comparável à beleza do canto dessa ave.

Obteve popularidade a nível nacional, possuindo diversas premiações, títulos e homenagens – tendo sido nomeado por cinco vezes Doutor Honoris Causa -. No entanto, afirmava nunca ter buscado a fama, bem como nunca ter tido a intenção de fazer profissão com seus versos. Patativa nunca deixou de ser agricultor e de morar na mesma região onde se criou (Cariri) no interior do Ceará. Seus poemas eram feitos e guardados na memória, para depois serem recitados. Daí o impressionante poder de memória de Patativa, capaz de recitar qualquer um de seus poemas, mesmo após os noventa anos de idade.

zé da luzZé da Luz

Zé da Luz, poeta, das terras nordestinas, nasceu em 29 de março de 1904 em Itabaiana, região agreste da Paraíba e faleceu no Rio de Janeiro em 12 de fevereiro de 1965. Veio ao mundo como Severino de Andrade Silva e recebeu a apelido de Zé da Luz. Nome de guerra e poesia, nome dado pela terra aos que nascem Josés e também aos Severinos, que se não for Biu é seu Zé.

Seus poemas têm a cor do nordeste, o cheiro do nordeste, o sabor do nordeste. Às vezes trágico, às vezes humorado, às vezes safado. Quase sempre telúrico como a luz do sol do agreste.

Expedito Sebastião da Silva: nasceu em Juazeiro do Norte, Ceará, onde viveu toda a sua vida. Além de poeta foi tipógrafo e revisor da gráfica de José Bernardo da Silva, a hoje conhecida Lira Nordestina. Após a morte de José Bernardo tornou-se gerente do estabelecimento.

Firmino Teixeira do Amaral: Foi o mais brilhante poeta popular do Piauí. Nasceu no povoado de Amarração (Luís Correia-PI) e mudou-se muito jovem para Belém-PA, tornando-se o principal poeta da Editora Guajarina, de Francisco Lopes. Escreveu a famosa Peleja de Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum, tida por muitos como real, mas, ao que tudo indica, foi fruto de sua imaginação. Nesta obra ele criou um novo gênero na cantoria: o “trava-língua.

Francisco Sales Arêda: nasceu em Campina Grande, Paraíba. Grande poeta popular, foi cantador de viola, cordelista e vendedor de folhetos nas feiras. Faleceu em janeiro de 2006 em Caruaru, Pernambuco.

Gonçalo Ferreira da Silva: Nasceu em Ipu, Ceará. Poeta, contista, ensaísta. Hoje vive no Rio de Janeiro e é presidente da ABLC.

João Ferreira de Lima: Nasceu em São José do Egito, Pernambuco. Era além de artista, astrólogo. Foi autor do mais célebre almanaque popular nordestino, o “Almanaque de Pernambuco”.  Faleceu em Caruaru, Pernambuco.

João Melchíades Ferreira da Silva:  nasceu em Bananeiras, Paraíba e faleceu na capital do mesmo estado em 1933. Foi sargento do exército. Combateu na Guerra de Canudos e na questão do Acre. É autor do primeiro folheto sobre Antônio Conselheiro.

José Camelo de Melo Resende: nasceu em Pilõezinhos, Paraíba, e faleceu em Rio Tinto, no mesmo estado, em 1964. Poeta fecundo, de fértil imaginação, bom de métrica, rima e oração, compôs verdadeiros clássicos da literatura de cordel. Pertence a segunda geração dos grandes poetas populares nordestinos, ao lado de Manoel Camilo dos Santos, Severino Borges e João José da Silva.

Manoel Monteiro da Silva: nasceu em Bezerro, Pernambuco. É o mais importante cordelista brasileiro em atividade, com uma produção densa e diversificada, abarcando toda a área da atividade humana. Suas narrativas são envolventes e prendem a atenção do leitor, além da influência verbal, própria dos grandes mestres. Em razão da qualidade de sua produção, a literatura de cordel está sendo indicada para a grade escolar de várias cidades brasileiras.

José João dos Santos – Mestre Azulão: nasceu em Sapé, Paraíba. Vive há anos no Rio de Janeiro. É Cantador de viola e poeta de bancada, autor de mais de 100 folhetos. É um dos poucos cantadores vivos que ainda cantam romances, sendo frequentemente convidado para apresentações em universidades brasileiras e até do exterior. Tem trabalhos publicados pela Tupynanquim Editora.

Raimundo Santa Helena:  nasceu em Santa Helena, Ceará, município fundado por seu pai, que morreu em 1927 combatendo o bando de Lampião. Saiu de casa aos 11 anos, disposto a vingar a morte do pai. Em Fortaleza, Ceará, trabalhou como trocador de ônibus, garçom, baleiro e engraxate. Em 1943 ingressou na escola de Aprendizes Marinheiros do Ceará. Participou da Segunda Guerra mundial, sendo por duas vezes condecorado pela presidência da República. Em 1945 publicou seu primeiro cordel, “Fim da guerra”. Fundou a Cordelbras. Em 1983 recebeu juntamente com Gilberto Freyre, Augusto Ruschi e Jorge Amado o Prêmio Porto de São Mateus de Resistência cultural. Tem cerca de 2 milhões de exemplares de mais de 300 títulos em circulação. Foi criador da Feira de São Cristovão, no Rio de Janeiro. Escreveu ainda os livros “Lampião e o sangue de meu pai” e “Um marujo na esquina do mundo”.

José Maria do Nascimento – Zé Maria de Fortaleza: Nasceu em Aracoiaba, Ceará. Aos 13 anos foi para Fortaleza, onde iniciou sua carreira como violeiro, tornando-se conhecido pelo seu talento poético e sua maneira de cantar. Já representou o Ceará em diversos festivais realizados em vários estados do Brasil. Lançou, juntamente com Benoni Conrado, um dos primeiros discos de violeiros que se tem notícia no Brasil. Tem um livro inédito intitulado “Fagulhas do Estro”, publicou vários folhetos de cordel, destacando-se “Folclore também é cultura” e “Miscelânea de motes e glosas”.