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sexta-feira 20 outubro 2017
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Que Halloween? Temos nosso Folclore: Viva o Saci!

Lembro-me como se fosse hoje meu medo (eu tinha vários medos: Saci, Homem do Saco, Bicho-papão, Freira no Banheiro, Mulher de Branco, Lobisomem, entre outros) de passar de noite próximo a bambuzais, pois me contavam sempre que ali vivia o Saci.
Tal ser fazia parte de nosso imaginário, assim como outros seres folclóricos implantado nele pelas conversas em volta da fogueira em minha infância nas noites de inverno em Minas Gerais.
Este medo foi superado quando comecei a assistir ao Sitio do Pica-Pau amarelo, uma vez que através do programa elaborei outra visão do Saci: a de um menino espoleta que assim como eu só queria brincar e se divertir.
Tive uma infância muito rica, valorizávamos o nosso folclore e todos os seus representantes. Recordo-me das aulas de Educação Artística onde os professores abordavam: a Mula-sem-cabeça, o Saci-Pererê, Boitatá, Curupira, Mãe D´água, Boto, Lobisomem, entre outros.
Hoje dia 31 de outubro comemoramos o dia do Saci, e para data tão especial iremos contar a história desse símbolo de nosso folclore.
Segundo a crença popular os Sacis se originam do Bambu (por isso meu medo do Bambuzal) e vivem setenta e sete anos. Após sete anos de “gestação” dentro do gomo do bambu ele sai para uma longa vida de travessuras.
Quando morre se metamorfoseia em cogumelos venenosos ou em “orelhas de pau”. Recordo-me que eu vivia pegando cogumelos e orelhas de pau para tentar aprisionar o Saci.
Quem é do interior, assim como eu sou, deve ter visto alguma vez uma espécie de cogumelo que se forma nos troncos das árvores e que se parece com uma orelha. É isso que o povo do interior chama de “orelha de pau”, e era exatamente o que eu aprisionava.
Entre todas as características do Saci uma é unânime: sua personalidade travessa. Ele adora uma peraltice.
Algumas pessoas acreditam que ele é mau, outros dizem que ele é apenas um garoto traquino que adora fazer pequenas travessuras, mas sem o intuito de fazer o mal.
Independente de interpretações (eu fico com a do garoto traquino) o Saci adora assustar os animais, prendê-los, criar situações embaraçosas para as pessoas, esconder objetos, derrubar e quebrar as coisas, entre outras danações.
Porém a lenda do Saci diz que além das travessuras costumeiras ele é um exímio conhecedor das propriedades medicinais das ervas e raízes da floresta. Logo, para se entrar em uma floresta (não entrava na mata de minha cidade de jeito nenhum) necessita-se da permissão de nossa figura folclórica.
Diz o mito que existem duas maneiras de se fugir de um Saci: a primeira é amarrando cordas ou barbantes pelo caminho, pois o mesmo ocupa-se em desatar o nó, é viciado em um “nozinho”. A segunda é atravessando um riacho ou córrego, pois ele não atravessa de forma alguma (seria medo de banho?).
No entanto, o único meio de controlar um Saci, segundo o mito, é tirando-lhe o gorro e prendendo-o em uma garrafa. Para isso é necessário jogar uma peneira ou um rosário bento em um redemoinho. Só dessa forma se pega um Saci. Uma vez preso e sem o gorro que lhe dá poderes ele fará tudo que for mandado (hora da vingança, e eu aprisionava os cogumelos, não sabia dessa história na época, se soubesse não ia sobrar uma peneira).
Origem: Os estudos sobre o folclore brasileiro apontam para origem indígena. O mito teria surgido na região Sul do Brasil durante o período colonial, por vota do final do século XVIII, por ocasião das Missões. A alcunha pela qual o Saci é mais popularmente conhecido é Saci-Pererê (popular por causa do Sitio do Pica-pau amarelo), mas seu nome originalmente era Yaci-Yaterê do Tupi Guarani. Contudo, de acordo com cada região do país ele pode ter outros nomes.
Conta-se ainda que a figura original do Saci – garoto índio – sofreu alterações por ocasião da inserção, na cultura brasileira, de elementos africanos e europeus, trazidos para cá pelos negros escravos importados da África e pelos colonizadores.
Ao chegarem a terras brasileiras trazendo seus próprios mitos e difundindo-os entre os que aqui habitavam, africanos e europeus provocaram uma mescla de características das três culturas, assim, a lenda do saci ganhou elementos novos.
O Saci se transformou em um garoto negro de características físicas africanas. Alguns acreditam que a ausência da perna se deveu a uma perda sofrida em uma disputa de capoeira, além de ganhar um cachimbo, típico dos costumes africanos. Da cultura europeia ganhou um elegante barrete vermelho que segundo a lenda seria a fonte de seus poderes mágicos.
Desejamos ao Saci muitos anos de vida! Que ele recupere seu lugar no imaginário infantil!