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terça-feira 12 dezembro 2017
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Movimentos no Cinema – Cinema Novo


Raquel Etges
Em um outro momento, eu escrevi sobre o movimento Dogma 95, que considero o movimento mais estranho de todos. Agora chegou a hora de falar da “prata da casa” o movimento cinematográfico brasileiro, conhecido como o Cinema Novo.
Influenciado pelos movimentos Neo-Realismo Italiano e pelo Nouvelle Vague da França que teve força mundial, o Cinema Novo surgiu pelos anos 50 com um grupo de jovens que frustrados com as grandes companhias cinematográficas resolveram lutar por um cinema mais realista, com mais conteúdo e menor custo.
Os principais nomes do Cinema Novo foram, Cacá Diegues, Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Nelson Pereira dos Santos, Roberto Santos, Rogério Sganzerla, Ruy Guerra, Olney São Paulo, Paulo César Saraceni.  A frase famosa e que era uma espécie de ideologia deles: uma câmera na mão e uma ideia na cabeça” uma forma barata de contar suas histórias, os filmes eram voltados à realidade brasileira com uma linguagem adequada à situação social da época e teve filmes muito bons produzidos nesta época.
Em 1955, o diretor Nelson Pereira dos Santos exibiu o primeiro filme responsável pela inauguração do Cinema Novo. “Rio 40 graus”  depois foram chegando os outros: “Vidas Secas” (1963), “Os Fuzis” (1963) e o prestigiado “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964) e uma série de outros filmes.
Glauber Rocha foi quem  realizou “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, obra que projetou o Cinema Novo no cenário internacional junto com os filmes de Nelson Pereira dos Santos e Ruy Guerra. Ele também publicou, em 1963, Revisão Crítica do Cinema Brasileiro, obra em que o cineasta procurava estabelecer os objetivos do movimento e seus princípios estéticos a fim de propor um projeto do cinema nacional economicamente autônomo, popular, ancorado na realidade, de bom nível artístico e com uma linguagem moderna.
Nas pesquisas que fiz, alguns sites colocaram o filme “O Pagador de Promessas” de Anselmo Duarte no digamos “grupo do cinema novo”, outros não. O filme é de 1962, época em que o movimento estava a toda, mas revolvi citar este, por ser o único filme brasileiro ganhador da Palma de Ouro em Cannes e também o primeiro a ser indicado ao Oscar.

A frase “uma câmara na mão e uma ideia na cabeça” deu muito certo para este movimento ser consolidado e também foi importante para o cinema brasileiro. De lá pra cá o cinema por aqui mudou muito, foi se adaptando, se procurando e se achando, e ainda vai se perder e se achar muito, mas uma coisa é certa, não pode é parar.