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segunda-feira 24 setembro 2018
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Inteligência para viver, nós a temos! Será?


Vanildo Veloso

Já tive medo da morte, porém hoje não tenho mais. Apenas sinto uma angustia imensa ao pensar em deixar de viver. Vida, uma simples palavra de um significado amplo a qual não damos a mínima importância, aliás, a qual enxovalhamos com nossos despautérios do dia-a-dia em busca do impossível, do improvável e do insolúvel.
Lembro-me, como se fosse hoje, da simplicidade de algumas pessoas que por minha vida passaram, a maneira como lidavam com as adversidades de um mundo erroneamente calculado em favor de poucos, mas que mesmo assim viviam com uma alegria extrema e inquestionável, que vinha da alma, sem angustias ou intempéries. Da necessidade fundamental de compreender a alegria de viver dos menos afortunados tirei algumas lições estimulantes.
Percebi que na vida nada nos é dado por um acaso, o fardo nunca é pesado demais, vem na medida, e nos resta apenas aceita-lo, vive-lo e vence-lo.
Percebi que por mais que pensemos que estamos sofrendo não devemos ser egoístas a ponto de esquecer que há no mundo milhares de pessoas que sofrem muito além de suas capacidades, no entanto tiram esperança de vida num simples sorriso, num simples gesto de carinho, numa simples manifestação existencial pura e nada conceitual.
Percebi que a simplicidade de um olhar tem beleza maior que a de uma rosa. E que basta enxergarmos com o coração para simplificarmos a essência comum da humanidade.
Percebi que somos quem devemos ser, estamos, no lugar certo, vivendo o momento certo. Momento, realmente a vida é feita de pequenos momentos, bons, ruins, mas de momentos, e que devemos vive-los intensamente, aprender com eles e que após passados não devemos olhar para traz. Não podemos concertar o passado ou revive-lo.
Percebi que poderia ir além, sempre, vivendo o presente, me preocupando apenas com o hoje, arquivando o passado e deixando o Ser Maior cuidar de meu futuro.
A morte, e porque não tirar lição dela também, que é a evidência de uma etapa cumprida, de que por menos que tenhamos feito, vivemos, exacerbadamente ou não; cumprimos um ciclo, às vezes não em plenitude, mas cumprimos.
O mistério da vida excede a qualquer imaginação, a qualquer deslumbre. A vida nos mostra incontáveis significados ao qual podemos ou não seguir, podemos ou não interpretar.
Infelizmente nossa geração alucinada, estereotipada, contra-argumentada, não aprendeu a viver ainda. Aprendeu a atrelar-se ao padrão de vida exposto pelos mais eloqüentes meios de imagem e som, formadores de opinião.
Emprestamos nosso sopro divino a sobrecarga de informações que nos são disponibilizadas de forma irresponsável, mesquinha, medíocre e insalubre. E pior, aceitamos, que essas tais informações tomem conta de nosso intelecto, aceitamos que tais informações moldem nossa personalidade nos ensinando a viver, desculpe a sobreviver.
A sociedade de consumo, de alto consumo, aos poucos tira nossa liberdade de expressão, nossa alto-estima, nosso poder de alto-defesa e nossa capacidade de produção intelectual. Não podemos mais viver a margem da ignorância a qual assola nosso mundo.
Devemos fazer como muitos a margem, aceitar, porém não conformar com o que lhe foi preparado e viver, apenas viver? Afinal as pessoas mais felizes que conheço neste mundo contemporâneo têm pouco acesso a informação de massa formadora de opinião e a qualquer tipo de deslumbramento extremista.
No entanto, podemos utilizar nossos conceitos, nosso intelecto, para arregimentar forças em busca de um bem comum, em busca da liberdade de expressão, em busca de uma sociedade mais igualitária a todos. Verdade ou utopia? Apenas o tempo dirá.
No momento, apenas sei que tudo que aqui está deverá ser utilizado com muito bom senso, responsabilidade e sabedoria, do contrario todos os valores que levamos séculos a construir se perderá ao esmo, por uma simples ganância de controle, daqueles que nem ao menos possuem um alto-controle.

Não espere a morte chegar para aprender a viver, a filtrar informações e a ser feliz. Afinal, inteligência todos nós temos. Será?


Um comentário sobre “Inteligência para viver, nós a temos! Será?

  1. Liberdade Feminina

    ótimo, por isso deixei de ver TV, foi o acaso, mas foi bom, pq passei a filtrar e assim não era qualquer coisa que entrava na minha casa, principalmente em tempos de consumismo a TV faz com que nos sintamos até inadequados se não temos isso ou aquilo, seguindo moda e etc…mas ainda to em busca dessa tal inteligência, inteligencial emocional!!! maturidade, enfim…