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segunda-feira 11 dezembro 2017
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Maurício de Sousa em entrevista exclusiva ao site TOCult


R. Rodrich

Maurício De Sousa, grande criador de personagens eternos da Turma da Mônica que têm acompanhado quatro gerações de leitores cedeu um pouco do seu tempo na Feira do Livro para uma entrevista com nosso colunista R. Rodrich. Em um bate papo rápido e divertido, Maurício foi extremamente gentil numa entrevista muito descontraída. Ao lado de nosso querido Tião Pinheiro e de seu sobrinho Amauri Sousa, ele respondeu nossas perguntas. Acompanhe a entrevista.

Maurício, você deve ouvir isso de todo mundo, mas tudo bem: Eu sou seu fã, cresci lendo os gibis. Sei muito sobre seus personagens. Eu tenho coleções!
(Risos) Você perguntou isso para alguém?

Olha, vou te confessar algo, quando cheguei ao Tocantins, não tinha muita coisa aqui. Eu era um garotinho, adorava os gibis. Então toda a vez que meus pais viajavam ou quando minha avó vinha nos visitar eu sempre pedia para trazer gibis da Mônica, porque aqui não tinha!
Humm… e agora tem???

Sim, agora tem! Mas vamos lá. Maurício como você busca inspiração para seus personagens?
Sempre me inspirei na vida real. Meus personagens nascem da inspiração que tenho ao conviver com algumas pessoas. Mônica e Magali foram inspiradas em minhas filhas. Cebolinha e Cascão em dois garotinhos que eu conheci. Eu pego, as vezes, uma característica de uma pessoa que conheci e à partir disso crio um personagem. Minha filha Magali realmente é muito comilona, até hoje. Meu genro não casou desavisado. Ele leu os gibis, então já sabia o que o esperava. (risos) E o garotinho com o apelido de Cascão realmente estava sempre sujo porque brincava o tempo todo, coisa de menino.

Você acredita que certos personagens tem um tempo certo, acredita que eles representam um momento e que refletem o público e a cultura?
Sim, possuo personagens com uma importante função social. Como a personagem da Dorinha, que é excepcional já que é deficiente visual. Ela serve para mostrar a inclusão social.  Eu a criei em 2004 com a importância de mostrar para as crianças que as pessoas são diferentes e que ser excepcional não impedimento para ninguém. Creio que os personagens tem seu momento, eles precisam estar preparados para o público e o público para eles.

Há personagens que o público criticou pela irreverência,  entretanto são criações inteligentes e que hoje teriam muita empatia com o público, hoje como Nico Demo!
Pois é, O Nico Demo na década de 60 foi rejeitado e cortado do jornal, tive de parar de fazer suas tirinhas, mas ele era um personagem rico de significado. Nico causava dúvidas sobre suas intenções. Era crítico, as tirinhas eram praticamente mudas, mas diziam muito pelas atitudes. Ele rompia padrões e fazia questionamentos interessantes sobre coisas do cotidiano.

Você possui uma grande equipe, muita gente colabora desenhando e criando estórias. Todos os personagens são criados por você ou há uma liberdade criativa da sua equipe?
Sim tem muita gente. Eu costumo reunir e oferecer ideias e pedir que criem. Depois me apresentam suas idéias. Então eu seleciono e dou meu toque pessoal, finalizando a idéia da personalidade do personagem e de sua imagem.

Você possui algum personagem preferido?
Não, são todos meus filhos! São muitos, mas todos tão especiais. Conheço a história de cada um deles!

Vocês possuem um exemplar de cada edição que sai?
Sim, tenho um grande acervo. Na verdade uma biblioteca com tudo catalogado. Há alguns anos atrás tivemos um grande incêndio e grande parte do nosso acervo foi destruída. Lançamos uma campanha para que os fãs pudessem nos ajudar a recuperar muitas edições. Muitos ajudaram enviando exemplares das edições que foram perdidas. Então foi possível recompor o acervo. Hoje está sendo tudo digitalizado para segurança e para entrarmos na era da internet.

Suas historinhas são bastante intertextuais, há sempre gibis temáticos que fazem paródias divertidas de livros e filmes clássicos. Há também programas do momento, como Lostinho baseada na série Lost. Você acha importante fazer referências culturais?
Olha, o público hoje tem acesso a muita informação. Pela internet é possível ver e ficar sabendo de muita coisa, então acho importante contextualizar. Isso é inspirador, as pessoas gostam de ver livros e filmes que gostam no estilo da paródia, isso dá liberdade à criatividade de todos, tanto da minha equipe quanto de quem lê.

Existem historinhas clássicas, que o público considera como especiais?
Olha, não sei, temos muitas histórias. Acho que a internet é um bom termômetro. Há algumas historinhas que estão na internet e o público acessa constantemente. Então acredito que estas são queridas pelo público.

A Turma da Mônica Jovempossui uma inspiração direta dos Mangás japoneses e você tem muitos gibis lançados no exterior inclusive no Japão, onde a Mônica é muito querida, você já lançou a Mônica Jovem no mercado japonês?
Sim, a inspiração veio dos mangás. Muita gente estava deixando de ler os gibis porque tinha crescido e achava que ler a Mônica era coisa de criança. Parte desse público é adolescente agora, e muitos estavam se interessando pelos mangás. Então eu pensei: devemos criar os nossos mangás, mas com algo diferente, características nossas. Assim nasceu a Turma da Mônica Jovem. Quanto ao mercado editorial japonês, ainda não lançamos a Mônica Jovem nele, mas estamos nos preparando.O projeto está em andamento, estamos instalando o escritório de uma agência no Japão justamente pra realizarmos o lançamento com estabilidade e planejamento.

Agora uma última curiosidade Maurício? E o Bugu, aquele personagem que sempre atormenta o Bidu, o que ele é? Um cão? Qual a raça dele?

(Risos) Eu acho que ele é uma salchicha mutante ambulante!

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