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segunda-feira 24 setembro 2018
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Dica de Cinema: Que Horas ela volta?


O filme estrelado por Regina Casé não só retrata muito bem o cotidiano das famílias brasileiras e sua relação com os empregados domésticos como colabora para que o espectador faça uma auto-observação de si mesmo. Com certeza terão aqueles que dirão “eu não sou assim com minha empregada”, mas raros poderão dizer e de fato não serem assim.

A relação de um empregado doméstico é muito íntima, pois é na intimidade de seu lar que ele (ela, na maioria das vezes) atua.
Então não dá para fazer aquela cara de que esta tudo bem que muitos fazem no trabalho, fingindo que ama todo mundo e é pura ternura, porque se você não puder ser você mesmo em casa e relaxar aí fica difícil. Mesmo assim ser você mesmo não implica em ser grosseiro, mas ser mais honesto, pois é assim que somos com pessoas da nossa intimidade, ou não é?
No filme, Val, personagem de Regina Casé, reencontra a filha  – 13 anos depois de ter deixado o nordeste – em São Paulo. Jessica (Camila Márdila) teve oportunidade de estudar, foi à São Paulo fazer o vestibular mas se comporta bem diferente do que a mãe esperava.
Como em todas as famílias que vejo, escuto “você é como se fosse da família” e sempre achei isso a coisa mais hipócrita de se dizer. Se fosse mesmo da família não dormiria no menor quarto da casa, muito menos comeria em outro cômodo enquanto “a família” come na sala de jantar.
As pessoas confundem intimidade com essa coisa de “ser da família”, e isso fica evidente no filme.
Jéssica não se comporta como uma empregada submissa e sim uma visita, e isso assusta a mãe da menina que não a compreende, e incomoda a patroa.
Outra cena muito comum e verdadeira é a intimidade com que os filhos dos empregadores se relacionam com os empregados. Eu lembro muito bem de contar TUDO para as empregadas da casa dos meus pais, e de sermos muito amigas. No filme, Fabinho é tão próximo de Val que eles chegam a dormir juntos (nada sexual povo, por favor) quando foi ao quarto da empregada em busca de aconchego. Demonstrando ter maior intimidade com Val do que com a própria mãe.
Não vou contar tudo senão perde a graça né, mas o filme é ótimo, merece estar na corrida ao Oscar, e merece ser visto pelos milhares de “patrões” desse Brasil, a fim de que eles repensem seus relacionamentos com os empregados domésticos da qual muitas famílias não vivem sem, mas mesmo assim ainda não lhes dão o valor devido.
E esse post eu dedico a Cristina, minha babá que me viu crescer, e a minha querida Dirani, que mantem o sorriso no rosto, sempre otimista.

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