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quarta-feira 19 dezembro 2018
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A colherada quente


Lilian Negrini

Sabe quando a gente está cozinhando um prato bacana, mas ao mesmo tempo está com  muita fome? Só que  o prato requer muitos temperos e muito tempo de calor pra pegar o sabor, a mistura de cheiros, gostos e texturas, pra se transformar naquilo que a gente esperava. 
Pois então, por vezes famintos, por quantas vezes, por ansiedade e falta de paciência enfiamos uma colherada quente de um prato inacabado na boca e queimamos a língua? E pior, além da dor, depois nem sentimos o gosto daquilo que preparávamos com tanto carinho. 
Pois com as relações muitas vezes acontece isso. No tempo do preparo, do aprendizado, da descoberta dos gostos, sensações e sabores, eis que alguém nos enfia uma colher quente, nos decepciona e depois disso fica muito difícil sentir o gosto daquilo que esperávamos. As vezes até esperamos a dor passar, mas o aí o prato já esfriou, já mudou o gosto, a textura, o cheiro. Já ficou seco, feio, perdeu o brilho. 
Por isso devemos tomar muito cuidado com as colheres quentes que a vida nos prepara. Se colocarmos na boca as consequências podem ser irreversíveis. 
Por isso sempre assopre, espere, pense, relaxe antes de se precipitar e colocar na boca o que não vale a pena naquele momento. 
Não coloque você, não coma coisas quentes de ninguém e muito menos ofereça essa prova ruim , principalmente se for alguém de quem você gosta.